Tribunal Superior Eleitoral julga nesta terça-feira (9) decisão que suspendeu divulgação de levantamento após questionamentos sobre a metodologia utilizada pelo instituto AtlasIntel

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar nesta terça-feira (9) a decisão liminar que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
A medida foi determinada pelo presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, após pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia adotada pelo instituto AtlasIntel na realização do levantamento.
Segundo o tribunal, o julgamento definirá se houve descumprimento das normas da legislação eleitoral durante a elaboração da pesquisa
Suspeita de indução nas respostas
O principal questionamento gira em torno da forma como os entrevistados foram submetidos ao questionário. De acordo com a decisão liminar, haveria indícios de que conteúdos relacionados a Flávio Bolsonaro foram apresentados aos participantes antes de determinadas perguntas sobre intenção de voto, o que poderia influenciar as respostas.
Nunes Marques destacou a necessidade de esclarecimentos sobre a metodologia empregada e determinou a retirada temporária da pesquisa dos canais oficiais de divulgação, concedendo prazo para que a empresa apresentasse explicações.
Pesquisa foi registrada no TSE
O levantamento questionado foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06939/2026 e foi realizado entre os dias 13 e 18 de maio, com divulgação em 19 de maio.
A decisão que suspendeu a divulgação é provisória e ainda depende da análise do plenário do TSE, composto por ministros responsáveis por avaliar a legalidade do procedimento adotado.
AtlasIntel nega irregularidades
Em manifestação encaminhada à Justiça Eleitoral, a AtlasIntel afirmou que colaborará com o processo de apuração e negou qualquer tentativa de influenciar os entrevistados.
A empresa sustenta que as perguntas relacionadas à avaliação dos candidatos ocorreram antes da exposição dos participantes a qualquer conteúdo envolvendo Flávio Bolsonaro. Segundo o instituto, o material posteriormente apresentado fazia parte de uma ferramenta específica para análise de reações audiovisuais e não integrava diretamente a pesquisa eleitoral.
Decisão pode impactar futuras pesquisas
A avaliação do TSE é acompanhada com atenção por partidos políticos e institutos de pesquisa, já que o entendimento da Corte poderá estabelecer parâmetros sobre a utilização de conteúdos complementares em levantamentos eleitorais e sobre os limites metodológicos permitidos durante a coleta de dados.
O resultado do julgamento deve definir se a pesquisa poderá voltar a ser divulgada ou se permanecerá suspensa até novas deliberações da Justiça Eleitoral.

