Registros do sistema Selva apontam concentrações elevadas de partículas poluentes na capital e em municípios do interior do estado

Uma imagem de satélite da Nasa mostra uma extensa camada de fumaça sobre áreas da Amazônia, incluindo a região próxima a Manaus. O registro ocorre em meio ao avanço das queimadas no Amazonas e aos níveis elevados de poluição atmosférica identificados na capital, onde diferentes pontos de monitoramento apresentam classificações entre muito ruim e péssimo.
A imagem foi consultada na plataforma Worldview, que permite acompanhar registros de satélites sobre a superfície terrestre. Na visualização, a fumaça aparece como uma camada acinzentada sobre a região, distinta das nuvens, que são observadas em tons mais claros. O registro permite visualizar a extensão da fumaça, mas não determina, isoladamente, a concentração de poluentes respirados pela população.
Mapas apontam poluição elevada em Manaus
Os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) mostram diferentes níveis de concentração de partículas finas, conhecidas como PM2,5, em bairros de Manaus. Nos mapas consultados, vários pontos da capital apresentam valores superiores a 100 microgramas por metro cúbico (µg/m³), com registros que ultrapassam 125 µg/m³.

A escala exibida pelo sistema classifica a qualidade do ar em cinco categorias: boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima. As cores dos indicadores permitem identificar os locais onde as concentrações registradas são mais elevadas.
Entre os valores exibidos no mapa da capital estão medições de 137,8 µg/m³, 136,5 µg/m³ e 122,5 µg/m³. Os números correspondem aos pontos de monitoramento visíveis na imagem e podem variar conforme o horário e as condições atmosféricas.
Poluição também aparece em municípios do interior
O monitoramento apresentado pelo Selva também registra concentrações elevadas em áreas do interior do Amazonas. No mapa estadual, há pontos com valores superiores a 130 µg/m³ e um registro de 171,2 µg/m³ na região de Careiro.

Outras localidades apresentam números menores, classificados nas faixas moderada, ruim ou muito ruim, conforme a escala utilizada. A distribuição dos indicadores mostra que a qualidade do ar varia entre os pontos monitorados.
As medições representam registros específicos das estações e não devem ser interpretadas como uma concentração uniforme em todo o município ou região.
Como a fumaça afeta a qualidade do ar
As partículas PM2,5 têm diâmetro muito pequeno e podem penetrar profundamente no sistema respiratório. A fumaça proveniente de incêndios florestais contém partículas e outros poluentes que podem agravar problemas respiratórios e provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse e dificuldade para respirar.
A intensidade dos efeitos depende de fatores como a concentração dos poluentes, o tempo de exposição e as condições de saúde de cada pessoa. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares podem ser mais vulneráveis.
Satélite e estações ajudam a acompanhar o cenário
As imagens de satélite permitem observar a distribuição da fumaça em grandes áreas, enquanto as estações de monitoramento medem a concentração de poluentes em pontos determinados. A análise conjunta dessas informações ajuda a compreender a dimensão do problema ambiental.
Os mapas do Selva apresentados nesta reportagem correspondem aos dados visíveis no momento da consulta. Como os indicadores podem mudar ao longo do dia, o acompanhamento das atualizações é necessário para verificar a evolução da qualidade do ar em Manaus e nos demais municípios do Amazonas.

