Durante o ato, a categoria denunciou que está sendo ameaçada e coagida por gestores escolares a mando do secretário Júnior Mar

Professores da rede municipal de ensino de Manaus ocuparam o plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta quarta-feira (1º) para protestar contra o Projeto de Lei nº 10/2025, que trata da reforma da Previdência dos servidores públicos municipais. Durante o ato, a categoria denunciou que está sendo ameaçada e coagida por gestores escolares a mando do secretário municipal de Educação, professor Júnior Mar, com o objetivo de os servidores não comparecerem aos protestos.
A proposta, enviada pelo prefeito David Almeida (Avante), foi classificada pelos servidores como um “projeto perverso”, e gerou forte reação entre vereadores da oposição. Na próxima segunda-feira (6), a Câmara deve votar um requerimento para convocar o secretário para prestar esclarecimentos sobre as denúncias.
A professora Elma, em entrevista, reforçou as ameaças que os professores sofreram por estarem nesta quarta-feira no plenário da CMM. Segundo a servidora, caso o projeto seja aprovado, a greve será instalada.
“Nós estamos fazendo a segunda advertência da categoria do magistério da Semed/Manaus. Nós não aceitamos essa ‘PL da morte’. Até porque a própria procuradora-geral da Câmara Municipal é desfavorável a esse projeto, apontando falhas em itens considerados inconstitucionais. Infelizmente, esse parecer da Procuradoria-Geral foi retirado desta Casa, do domínio público. Nós não compreendemos o porquê, mas tivemos acesso. Se a própria Procuradoria da Câmara diz que é um projeto inconstitucional, esse projeto não tem motivo para continuar tramitando. Queremos o arquivamento desse projeto. Porém, se esse projeto passar, teremos, infelizmente, a greve e a culpa será do prefeito David Almeida”, disse a professora Elma.
“Nós temos um grande quantitativo de professores nas ruas, mais de 50%, chegando a 60% das escolas paralisadas e professores nas ruas. Mesmo sendo ameaçados — porque houve muita ameaça e intimidação para que os professores não deixassem as escolas no dia de hoje, os professores não ficaram com medo e vieram. E nós estamos solicitando a racionalidade, a ética da Semed, de não fazer o desconto de pauta e de respeitar o direito constitucional do trabalhador de estar nas ruas lutando por seus direitos”, completou a professora Elma.
O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) defendeu os servidores:
“Parabéns pela mobilização de vocês, mesmo diante de toda perseguição, ameaça e coação de uma pessoa chamada Júnior Mar que, sem um pingo de dignidade, é secretário de Educação de Manaus. Nós sabemos que os servidores estão sim sendo ameaçados e coagidos. Diante de toda essa pressão, faço um pedido para que a gente mantenha o pequeno expediente para que as entidades se manifestem. E peço que o prefeito David Almeida arquive esse projeto do mal”, declarou Guedes.
Ele também afirmou que pretende formalizar uma denúncia contra o secretário no Ministério Público do Trabalho:
“Quero denunciar o secretário Júnior Mar, que está coagindo os servidores públicos da educação. Ele, não pessoalmente, mas por meio de gestores, está ameaçando servidores para que não estejam presentes nas manifestações. Na segunda-feira, vamos colocar em votação o requerimento da presença do secretário, porque ele está impedindo os servidores de exercerem o seu direito de manifestação. Fazer isso com servidor, aterrorizando, é cruel. Não se esconda atrás dos gestores, porque sabemos que é você quem está dando as ordens”, completou.
O vereador afirmou ainda que já há 12 votos declarados contra a reforma da Previdência na Casa Legislativa:
“Temos 12 votos declarados contra a proposta da reforma da Previdência: Rodrigo Guedes, Paulo Tayrone, Zé Ricardo, Diego Afonso, Rodrigo Sá, Capitão Rosess, Capitão Carpê, Professora Jaqueline, Sargento Salazar, Raiff Matos, Ivo Neto e Thaysa Lippy. Precisamos de um voto a mais para atingirmos os 13, pois precisa de 28 votos para aprovar uma emenda à Lei Orgânica do Município”, explicou.
O vereador Zé Ricardo (PT) também se pronunciou em defesa dos professores e contra o projeto enviado pelo Executivo municipal e criticou as ameaças relatadas pelos servidores:
“Não pode haver diretor, chefe, secretário ou prefeito ameaçando servidores que estão aqui lutando por seus direitos. O fato de o servidor vir à Câmara não pode ser motivo para desconto. Ele está exercendo um direito, tratando de um projeto que afeta sua vida e carreira. Não dá para aceitar ameaças que prejudiquem os trabalhadores da prefeitura”, iniciou.
“Ontem, também apresentei um requerimento para convocar o secretário de Educação, mas não foi aprovado. No fim, houve entendimento de que ele será convidado para tratar dessa denúncia. Esse projeto não pode continuar nesta Casa. O prefeito já deveria ter retirado. Perguntei agora ao líder Rodrigo Alfaia, que disse que há conversas na prefeitura. Então que se retire, para que o diálogo continue e o projeto fique mais claro. Se politicamente não vai ficar bem para os vereadores da base, que convençam o prefeito a tirar o projeto de tramitação. Do contrário, o que sobra é a votação”, concluiu.


