
Quarenta e cinco por cento dos brasileiros consideram que Michelle Bolsonaro acertou ao divulgar nas redes sociais os vídeos sobre o desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro, segundo a 27ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, realizada entre os dias 10 e 13 de julho de 2026. Divulgado nesta quarta-feira, 15, o levantamento nacional, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o nº BR-07181/2026, também mostra que 42% dos entrevistados tendem a concordar mais com Michelle do que com Flávio no episódio, indicando repercussão política do conflito dentro do campo conservador.
O estudo ouviu 2.004 eleitores presencialmente em todo o país e utilizou amostragem por Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT), além de técnicas estatísticas de calibração e pós-estratificação para representar o perfil do eleitorado brasileiro. A pesquisa acompanha a sucessão presidencial de 2026, a avaliação do governo federal e a percepção dos eleitores sobre temas políticos, econômicos e institucionais.
Além da avaliação sobre os vídeos, a pesquisa aponta que 34% acreditam que a principal motivação de Michelle Bolsonaro foi o desejo de disputar a Presidência da República no lugar de Flávio Bolsonaro. Outro dado indica que 47% dos entrevistados afirmam que a participação direta da ex-primeira-dama na campanha do senador não aumenta as chances de vitória dele, sugerindo que parte do eleitorado não vê ganhos eleitorais com a atuação de Michelle na campanha presidencial do parlamentar.

Cenário eleitoral e avaliação do governo
A pesquisa também mediu o ambiente da disputa presidencial. No indicador de potencial de voto, Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 47% dos entrevistados afirmando que o conhecem e votariam nele, enquanto 50% dizem que o conhecem e não votariam. Já Flávio Bolsonaro registra 38% de potencial de voto e 57% de rejeição. Entre os nomes apresentados como alternativas, Ronaldo Caiado alcança 22% de potencial de voto e 34% de rejeição, enquanto Romeu Zema registra 19% e 31%, respectivamente, ambos ainda com elevados índices de desconhecimento.
Nas simulações de segundo turno, Lula aparece à frente de Romeu Zema por 45% a 35%, enquanto, em outro cenário, supera Renan Santos por 45% a 33%. A pesquisa também mostra que 51% dos brasileiros avaliam que Lula não merece permanecer mais quatro anos na Presidência, enquanto 45% defendem sua continuidade no cargo. Entre os entrevistados que se declaram independentes, 54% afirmam que o presidente não merece um novo mandato.
A percepção sobre a cobertura do governo também foi medida. Segundo o levantamento, 40% afirmam ter visto notícias mais negativas sobre a gestão federal, enquanto 33% dizem ter acompanhado notícias mais positivas.
Outro bloco da pesquisa abordou as investigações envolvendo o senador Jaques Wagner no Caso Master. Conforme os resultados, 61% dos entrevistados acreditam que o senador agiu de forma errada, enquanto 43% entendem que o episódio representa uma questão institucional do governo Lula, e não apenas um problema pessoal do parlamentar. Além disso, 37% afirmam que as investigações impactam muito negativamente a campanha de reeleição do presidente.
Na área econômica, os indicadores mostram que 66% dos brasileiros afirmam que os preços dos alimentos subiram no último mês e 68% dizem que o poder de compra é menor do que há um ano. Em relação ao mercado de trabalho, 55% consideram que está mais difícil conseguir emprego atualmente do que nos últimos 12 meses. Embora 66% afirmem conhecer o programa Desenrola 2.0 e 55% o considerem uma boa ideia, entre os entrevistados beneficiados pela nova faixa de isenção do Imposto de Renda, 39% disseram não ter percebido diferença na renda familiar.
O levantamento também aponta mudanças na forma como os brasileiros acompanham a política. As redes sociais aparecem como principal fonte de informação para 36% dos entrevistados, superando a televisão, citada por 34%. Entre pessoas de 16 a 34 anos, a diferença é mais ampla, com 52% informando-se pelas redes sociais, contra 20% que têm a televisão como principal meio de informação política.
A pesquisa ainda mediu as principais preocupações do eleitorado. A violência foi apontada por 31% dos entrevistados como o maior problema do Brasil atualmente, seguida por saúde (15%) e economia (15%). Ao mesmo tempo, 46% afirmam ter mais medo de uma volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 38% dizem temer mais a reeleição de Lula, retratando um cenário de polarização às vésperas da sucessão presidencial de 2026.


