Na ocasião, foram realizadas prisões, buscas e apreensões, além da retenção de carros de luxo, dinheiro e documentos.

Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Amazonas revelou detalhes de uma suposta estrutura ligada ao Comando Vermelho que atuaria no Amazonas com apoio de operadores financeiros, empresas e acesso a informações sigilosas.
Ao todo, 16 pessoas passaram a responder formalmente pelas investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os investigados são suspeitos de participação em crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.
As apurações fazem parte da Operação Erga Omnes, deflagrada em fevereiro deste ano em vários estados. Na ocasião, foram realizadas prisões, buscas e apreensões, além da retenção de carros de luxo, dinheiro e documentos.

Segundo o Ministério Público, o grupo investigado possuía divisão de funções para manter as atividades criminosas e dificultar a atuação das autoridades. A denúncia aponta que integrantes utilizavam empresas, intermediários e contatos dentro de órgãos públicos para proteger os interesses da facção.
Entre os nomes citados está Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como responsável pela coordenação das atividades do grupo. Conforme a investigação, ele comandaria operações ligadas ao tráfico de drogas e à ocultação de patrimônio.
A denúncia também menciona a atuação de Adriana Almeida Lima, suspeita de intermediar contatos e pagamentos relacionados à obtenção de informações sigilosas.
Um servidor ligado ao Tribunal de Justiça do Amazonas também aparece entre os investigados. Izaldir Moreno Barros, auxiliar judiciário e motorista da Corte, é acusado de fornecer informações internas em troca de vantagens financeiras.

Ainda segundo o MP, empresas registradas em nome de familiares e pessoas próximas eram utilizadas para movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada dos investigados.
A investigação aponta que Antônia Fabiane Silva Pinho administrava uma empresa usada para circulação de dinheiro relacionado ao tráfico. Já Patrícia Chagas Bezerra, mãe de Allan Kleber, é suspeita de atuar na ocultação de bens.
Os promotores também investigam Luana Ferreira Tavares por suposta participação em operações financeiras ligadas ao esquema criminoso.
A policial civil Anabela Cardoso Freitas não foi denunciada nesta etapa. Conforme o Ministério Público, as investigações envolvendo ela e outras sete pessoas continuam em andamento.
As autoridades afirmam que o grupo possuía atuação interestadual e estrutura financeira considerada sofisticada. Relatórios citados no processo apontam movimentações superiores a R$ 70 milhões.
As investigações começaram após apreensões de mais de 500 tabletes de skunk e sete fuzis. A polícia também apura suspeitas de infiltração da organização criminosa em estruturas públicas para obtenção de dados sigilosos.

