Lula amplia domínio no Nordeste e passa à frente no Norte/Centro-Oeste, enquanto Flávio Bolsonaro vence no Sudeste e no Sul

A nova rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (10), mostra uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
No cenário estimulado, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro, diferença de 3 pontos percentuais. Outros 8% dos entrevistados afirmam que votariam em nenhum, branco ou nulo, e 1% não soube ou não respondeu.
Por trás do resultado nacional apertado, porém, a pesquisa revela um país dividido regionalmente, com cada candidato dominando metades distintas do mapa eleitoral.

Nordeste: Lula amplia vantagem
O principal destaque regional da pesquisa está no Nordeste, onde Lula ampliou sua liderança sobre Flávio Bolsonaro: 59% das intenções de voto, contra 34% do senador, vantagem de 25 pontos percentuais. No levantamento anterior citado na comparação, Lula tinha 52% contra 39% de Flávio na região. Com isso, o presidente avançou 7 pontos, enquanto o senador recuou 5.
Norte/Centro-Oeste: presidente passa à frente
Outro movimento importante ocorre no agrupamento Norte/Centro-Oeste. Lula aparece agora com 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro, abrindo vantagem de 4 pontos. A mudança coloca o presidente numericamente à frente em uma região que, segundo a comparação apresentada, anteriormente favorecia o senador.
Sudeste: Flávio vira o jogo
O cenário é diferente no Sudeste, região que concentra parcela expressiva do eleitorado brasileiro. Flávio Bolsonaro aparece com 48%, enquanto Lula registra 42%, vantagem de 6 pontos percentuais para o senador. A pesquisa indica uma reversão em relação ao cenário anterior, quando Lula estava à frente na região.
Sul: maior vantagem de Flávio
No Sul, Flávio mantém a vantagem mais expressiva entre as quatro regiões analisadas: 54% contra 40% de Lula, diferença de 14 pontos.
Como está a disputa por região

Outros recortes reforçam a divisão
A divisão por sexo também mostra diferenças significativas. Entre as mulheres, Lula tem 51%, contra 39% de Flávio. Entre os homens, o cenário se inverte: Flávio aparece com 50%, contra 42% de Lula.
Por idade, Lula lidera entre os eleitores de 16 a 24 anos, com 47% contra 40% de Flávio, e entre aqueles com 60 anos ou mais, com 55% contra 38%. Na faixa de 25 a 40 anos, Flávio tem 48%, contra 42% de Lula. Entre os eleitores de 41 a 59 anos, os dois aparecem tecnicamente próximos: Lula tem 45% e Flávio, 47%.
Entre eleitores com ensino fundamental, Lula lidera por 57% a 37%. No ensino médio, Flávio aparece numericamente à frente, com 49% contra 41%. Entre os que possuem ensino superior, a diferença é menor: Lula tem 43% e Flávio, 45%.
O recorte religioso apresenta uma das maiores diferenças da pesquisa. Entre os católicos, Lula lidera por 51% a 40%. Entre os evangélicos, Flávio Bolsonaro aparece com 58%, contra 32% de Lula. Entre pessoas de outras religiões, Lula registra 48% contra 45% de Flávio. Entre os que não possuem religião, a vantagem do presidente é expressiva: 63% a 30%.
Por renda, o presidente tem maior vantagem entre os eleitores de menor faixa. Entre aqueles com renda familiar de até 1 salário mínimo, Lula chega a 60%, contra 32% de Flávio. Na faixa entre 1 e 2 salários mínimos, Lula aparece com 53% contra 34%. Já entre eleitores com renda superior a 5 salários mínimos, Flávio lidera por 52% a 40%.

O que os números regionais mostram
A fotografia apresentada pela pesquisa revela uma eleição dividida principalmente pelo eixo regional. Lula mantém vantagem nacional estreita, sustentada sobretudo pelo forte desempenho no Nordeste e pelo avanço recente no Norte/Centro-Oeste. Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentra sua força no Sul e no Sudeste, regiões onde reverteu ou ampliou vantagens em relação ao levantamento anterior.
Com 47% contra 44% no cenário nacional, a diferença entre os dois está dentro de uma margem que evidencia disputa apertada. O mapa regional mostra que o resultado de um eventual segundo turno pode depender da capacidade de cada candidato de avançar fora de seus principais redutos eleitorais, especialmente no Norte/Centro-Oeste, região que trocou de líder entre as duas rodadas da pesquisa.

