
Jornalista diz que sigilo da fonte foi violado
Luís Pablo argumentou que a Constituição Federal garante o sigilo da fonte jornalística e criticou a investigação por, segundo ele, concentrar-se na identificação de seu informante. O jornalista também afirmou que informações sobre sua vida pessoal foram incluídas na investigação sem relação com sua atividade profissional.
“Fatos e relações estritamente privadas estão sendo usados para tentar me atribuir uma conduta criminosa”, afirmou.
Segundo ele, a utilização dessas informações não teria relação com o conteúdo das reportagens publicadas.
Reportagens citavam veículos oficiais
As matérias que estão no centro do caso tratavam do suposto uso irregular de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Flávio Dino. Luís Pablo sustenta que o fato denunciado nas reportagens foi comprovado e questiona o que considera falta de apuração sobre o conteúdo original das denúncias.
“Investigar e informar fatos de interesse público não é crime”, declarou.
A operação desta terça-feira contra Raimundo Cutrim foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e recebeu aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). O processo tramita sob sigilo no STF.
PF já havia feito operação contra jornalista
O próprio Luís Pablo foi alvo de uma operação de busca e apreensão em março deste ano, após a publicação das reportagens. Na ocasião, agentes da PF recolheram equipamentos eletrônicos, incluindo dois celulares, um HD e um computador. Os materiais foram devolvidos posteriormente, em abril.
Agora, a investigação também alcança Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista.
Defesa de Cutrim questiona exposição da fonte
O advogado José Berilo de Freitas Leite, que representa Cutrim, afirmou que ainda não teve acesso à íntegra dos autos, que estão sob sigilo. A defesa manifestou preocupação com a exposição de Cutrim como fonte jornalística e destacou a proteção constitucional ao sigilo da fonte e à liberdade de imprensa.
Até o momento, a investigação permanece em andamento e os elementos que fundamentaram as medidas determinadas por Moraes não foram divulgados integralmente devido ao sigilo do processo.

