A Anvisa informou que recebeu 323 notificações de problemas relacionados ao Essure

Mulheres que receberam o Essure, dispositivo contraceptivo permanente posteriormente retirado do mercado, cobram a criação de uma política nacional de assistência e acompanhamento médico. A reivindicação foi apresentada nesta sexta-feira (21/8), durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado.
O Essure era inserido nas trompas por meio de histeroscopia, procedimento realizado pelo colo do útero e sem cortes no abdômen. Semelhante a uma pequena mola, o dispositivo provocava uma reação inflamatória que estimulava o crescimento de tecido e bloqueava as trompas, impedindo a gravidez de forma permanente.
Segundo dados fornecidos pela Bayer, empresa responsável pelo produto, 10.402 mulheres receberam o Essure no Brasil. O dispositivo esteve disponível no país entre 2009 e 2017, quando teve a comercialização suspensa temporariamente. Em 2019, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu definitivamente o produto, classificado na categoria de risco máximo.
Pacientes relatam dores e complicações
Inicialmente, o Essure foi apresentado como alternativa à esterilização cirúrgica por dispensar cortes e permitir rápido retorno às atividades cotidianas. Com o passar dos anos, porém, pacientes de diferentes países passaram a relatar dor pélvica crônica, alterações menstruais, perfuração do útero ou das trompas, migração e fragmentação do dispositivo, além de reações de hipersensibilidade.
Na audiência do Senado, o Ministério da Saúde informou que o dispositivo foi utilizado em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Tocantins, Paraná, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Santa Catarina e no Distrito Federal.
Em alguns casos, a retirada exigiu novas intervenções ginecológicas, como a remoção das trompas, de parte da parede uterina ou até uma histerectomia, cirurgia para retirada do útero. Especialistas alertaram na audiência que a remoção do Essure é complexa e deve ser avaliada individualmente.
Mulheres cobram assistência e reparação
As pacientes pedem que o governo localize todas as mulheres que receberam o dispositivo, ofereça atendimento especializado e estabeleça um protocolo nacional para acompanhar os casos. Elas também defendem medidas de reparação para quem sofreu prejuízos profissionais, financeiros ou emocionais em decorrência das complicações.
A Anvisa informou ter recebido 323 notificações de eventos adversos relacionados ao Essure. Já o Ministério da Saúde declarou que o dispositivo nunca foi incorporado nacionalmente ao Sistema Único de Saúde (SUS), embora tenha sido adquirido diretamente por estados e municípios.
Atualmente, o SUS não possui centros de referência específicos para pacientes com Essure nem um código próprio para a retirada do dispositivo. O Ministério da Saúde não recomenda a remoção indiscriminada, que deve ser decidida após avaliação médica de cada paciente.

