
A Transparência Internacional Brasil classificou como “estarrecedor” o grau de informalidade em torno de um contrato firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, e o Banco Master.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (3), a organização afirmou que as informações conhecidas até o momento reforçam a necessidade de uma investigação própria por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR)
Segundo a entidade, a ausência de uma apuração específica se torna mais preocupante diante das novas revelações relacionadas ao caso.
Mensagens foram obtidas pela Polícia Federal
De acordo com a investigação, os diálogos foram extraídos pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
As mensagens foram anexadas ao inquérito que investiga o suposto vazamento de informações envolvendo familiares do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo os autos, em janeiro de 2024, Viviane Barci de Moraes teria encaminhado a minuta do contrato de honorários a Vorcaro. Dias depois, o empresário teria respondido questionando como deveria proceder para a assinatura do documento.

Pagamentos também são citados
Ainda conforme informações mencionadas na investigação, dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado indicariam que o Banco Master repassou mais de R$ 80 milhões ao escritório de Viviane Barci de Moraes entre 2024 e 2025, registrados como pagamentos por honorários e consultoria.
Segundo a apuração, esses pagamentos teriam sido interrompidos após a prisão de Daniel Vorcaro e a liquidação da instituição financeira.
Escritório afirma que prestou serviços de consultoria
Em manifestação sobre o caso, o escritório de Viviane Barci de Moraes informou que os valores recebidos correspondem à prestação de serviços especializados ao Banco Master.
Segundo a defesa, uma equipe formada por 15 profissionais atuou na elaboração e revisão de normas internas da instituição, incluindo a criação de um novo código de ética e a atualização de políticas corporativas já existentes.
Até o momento, não há decisão judicial que conclua pela existência de irregularidades relacionadas ao contrato, e as apurações seguem em andamento.

