
O deputado estadual Jorge Thiago Carvalho Abrahim (MDB), candidato à reeleição em 2026, é réu em uma ação civil de improbidade administrativa que também tem como réu o deputado federal Adail José Figueiredo Pinheiro, o Adail Filho (MDB), candidato à reeleição. O tramita na 2ª Vara da Comarca de Coari desde 22 de junho de 2018, foi movido pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) sob acusação de que agentes da Prefeitura de Coari teriam embaraçado investigações sobre contratos municipais ao deixar de fornecer documentos e informações requisitados pelo órgão.
A ação foi ajuizada contra Adail Filho, então prefeito de Coari, Thiago Abrahim, então presidente da Comissão de Licitação, além da procuradora municipal Laura Macedo Coelho e do então secretário municipal de Obras Victor Luiz Ledesma Sanchez. Segundo o MPAM, as requisições permaneceram sem resposta ou foram atendidas de forma incompleta durante procedimentos destinados a verificar a legalidade de atos e contratos administrativos da Prefeitura. A decisão interlocutória assinada pelo juiz André Luiz Muquy em 2 de julho de 2018 registra a alegação ministerial de que o município estaria voluntariamente dificultando o acesso à documentação necessária às apurações.
O processo permanece sem desfecho mais de oito anos depois da distribuição. Considerando a data de autuação, são 3.022 dias de tramitação até 30 de setembro de 2026, enquanto uma audiência prevista para 6 de agosto de 2026 foi adiada a pedido das defesas, conforme os dados processuais fornecidos para esta reportagem.

MP apontou omissão na entrega de documentos
De acordo com os autos, o MPAM havia instaurado o Inquérito Civil, por meio da Portaria nº 3/2018, depois de receber respostas consideradas insuficientes ou não receber documentos requisitados à Prefeitura de Coari. O órgão ministerial afirmou que os expedientes tinham como finalidade obter cópias de procedimentos administrativos e contratos para avaliar a necessidade de novas investigações sobre atos praticados pela administração municipal.
As requisições foram direcionadas ao prefeito e também aos responsáveis por áreas diretamente relacionadas aos procedimentos administrativos, entre eles Thiago Abrahim, que ocupava a presidência da Comissão de Licitação. Na ação, o MPAM sustentou que a conduta poderia configurar violação aos princípios da administração pública e enquadrou os fatos, à época, a Lei de Improbidade Administrativa.
O Ministério Público pediu a condenação dos quatro réus às sanções previstas no artigo 12 da LIA e requereu medidas cautelares, incluindo o afastamento temporário dos agentes públicos e a indisponibilidade de bens de Adail Filho. Na decisão de 2 de julho de 2018, porém, o juiz não determinou o afastamento imediato dos demais réus nem o bloqueio cautelar de bens do então prefeito.
Processo de 2018 antecede operação da PF em Coari
A ação de improbidade contra Thiago Abrahim e Adail Filho é anterior à atual investigação conduzida pela Polícia Federal sobre contratos da Prefeitura de Coari. Em 16 de setembro de 2026, a PF deflagrou a Operação Dinastia do Lago, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), para apurar possíveis fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à administração municipal de Coari.
A operação cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), além de medidas de afastamento de servidores. Segundo a PF, a investigação teve início após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie, transportados por três empresários em um voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025.
Entre as diligências realizadas em setembro está a busca na residência de Adail Filho, deputado federal candidato à reeleição pelo MDB. A PF informou que a investigação atual apura possíveis relações entre empresários, agentes públicos e terceiros, com indícios de direcionamento de licitações, desvio de recursos e movimentações financeiras que poderiam estar relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas e à ocultação da origem e dos destinatários dos valores.

