Reconhecimento inédito coloca os dois principais teatros da Amazônia na lista de patrimônios culturais mais importantes do mundo.

O Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém (PA), foram reconhecidos como Patrimônio Cultural Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (27), durante a 47ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul.
Os dois monumentos históricos foram inscritos de forma conjunta na Lista do Patrimônio Mundial sob a designação “Teatros da Amazônia”, tornando a Região Norte, pela primeira vez, integrante da lista de patrimônios culturais da Unesco.
Com o reconhecimento, os teatros passam a integrar um seleto grupo de bens culturais de relevância universal, ao lado de locais históricos como o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, os centros históricos de Salvador e Olinda, a Muralha da China e o Coliseu de Roma. A nova inscrição eleva para 26 o número de sítios brasileiros reconhecidos pela Unesco, sendo 16 culturais, nove naturais e um misto.
A candidatura foi apresentada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, com apoio dos governos do Amazonas e do Pará e das prefeituras de Manaus e Belém.
Para a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, o reconhecimento representa um marco para a valorização da cultura amazônica.
“Esse reconhecimento nos enche de orgulho e fortalece nossa identidade cultural, ao mesmo tempo em que amplia as oportunidades de preservação, cooperação internacional e valorização dos nossos teatros”, afirmou.
Símbolos do Ciclo da Borracha
Construídos durante o auge do Ciclo da Borracha, os dois teatros simbolizam o período de prosperidade econômica vivido pela Amazônia no século XIX. O Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, em Belém, enquanto o Teatro Amazonas abriu as portas em 1896, em Manaus.
Além da imponência arquitetônica, ambos foram concebidos como símbolos da modernização urbana da região e da integração da Amazônia aos grandes circuitos culturais e comerciais da época. As casas de espetáculo recebiam companhias internacionais e compartilhavam temporadas de ópera, consolidando um importante intercâmbio artístico entre as duas capitais.
Com o passar das décadas, os espaços ampliaram sua programação e passaram a receber manifestações da cultura popular brasileira, como apresentações de boi-bumbá, carimbó, jazz, cinema e outros eventos culturais. Atualmente, os teatros permanecem como referências da identidade cultural amazônica e importantes atrativos turísticos de Manaus e Belém.

