Secretário de Praia Grande foi baleado enquanto dirigia por avenida da cidade

Uma força-tarefa investiga a execução de um ex-delegado-geral de São Paulo em Praia Grande, no litoral paulista. Morto a tiros nessa segunda-feira, Ruy Ferraz Fontes foi jurado de morte pelo Primeiro Comando Capital (PCC) por “retaliação”, após decidir transferir 15 lideranças da cúpula da facção em agosto de 2019. Nesta segunda-feira (15), o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, anunciou a criação de uma força-tarefa para capturar os responsáveis pelo assassinato do ex-delegado-geral.
O caso ocorreu na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinh
as, no bairro Nova Mirim, por volta de 18h desta segunda. Imagens que circulam nas redes sociais mostram que o carro do ex-delegado, em tentativa de fuga, colidiu contra um ônibus e capotou. Um grupo de homens armados desceu de outro veículo que vinha atrás e passou aparentemente a atirar contra a vítima.
Segundo a Polícia Militar, informações iniciais indicam que o secretário perdeu o controle do veículo porque foi baleado na perseguição, mas isso ainda precisa ser confirmado em apurações complementares. Socorristas constataram a morte de Fontes no local.
Um homem e uma mulher que caminhavam pela região também foram baleados e encaminhados para o pronto-socorro, informou a prefeitura de Praia Grande. Eles não correm risco de morte.
Investigadores apuram se Fontes foi alvo de uma vingança pela atuação contra o crime organizado ou se a execução foi uma reação ao seu trabalho como secretário de Administração de Praia Grande.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, determinou a criação de uma força-tarefa para identificar os assassinos. Agentes foram enviados a Praia Grande para reforçar o policiamento ostensivo e tentar evitar que os suspeitos deixem a cidade.
Nomeado pelo então governador João Doria, Fontes assumiu a função de delegado-geral da Polícia Civil de 2019 a 2022. Desde 2023, trabalhava na prefeitura de Praia Grande.
Jurado pelo PCC
Fontes foi uma das autoridades mais atuantes diante do chefe do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Marcola e outras 14 lideranças da facção cumpriam pena em Presidente Venceslau (SP) quando foi determinada a transferência para o sistema federal. A notícia desagradou ao PCC, segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que veio à tona em agosto de 2019.
Atualmente, Fontes atuava como secretário de Administração de Praia Grande, no litoral paulista. Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, ele atuou como delegado por mais de 40 anos e chegou a dirigir o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).
Fontes teve passagens por diversas delegacias especializadas e participou de cursos no Brasil, na França e no Canadá. Ele iniciou a carreira como delegado de Polícia Titular da Delegacia de Polícia do Município de Taguaí e trabalhou no Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
A equipe de Fontes indiciou os principais líderes do Primeiro Comando Capital (PCC) no início dos anos 2000 por formação de quadrilha. Ele foi uma das autoridades mais atuantes contra a facção criminosa e seu chefe Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O então delegado passou a ser referido como inimigo número 1 dos contraventores e alvo de planos de execução.
Nomeado pelo então governador João Doria, Fontes assumiu a função de delegado-geral da Polícia Civil de 2019 a 2022. Desde 2023, trabalhava na prefeitura de Praia Grande.
Durante a carreira, o ex-delegado fez pós-graduação em Direito Civil e atuou como professor de Criminologia e Direito Processual Penal.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “lamenta, com profundo pesar, a morte do delegado Ruy Ferraz Fontes, ocorrida nesta segunda-feira (15), em Praia Grande, vítima de um atentado no bairro Vila Mirim”.
“Policiais militares atenderam rapidamente à ocorrência e localizaram o veículo utilizado pelos criminosos. A cena foi preservada para a realização da perícia, e o caso está sendo registrado na Polícia Civil. Equipes estão em campo, realizando diligências e utilizando ferramentas de inteligência para identificar, prender e responsabilizar os envolvidos”, diz a pasta.

