
O Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador Rico Melquíades por suposto assédio eleitoral contra funcionárias domésticas. O processo tramita na 11ª Vara do Trabalho de Maceió e inclui pedido de indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos.
Segundo o MPT, o caso envolve um vídeo publicado nas redes sociais no qual o influenciador questiona trabalhadoras sobre suas preferências políticas. Em determinado momento da gravação, ao relacionar uma delas ao Partido dos Trabalhadores (PT), Rico afirma que ela estaria demitida e manda a mulher recolher os pertences.
Na ação, o Ministério Público do Trabalho acusa o influenciador de misturar relações de trabalho com preferências partidárias, além de expor informações pessoais das funcionárias nas redes sociais. O órgão sustenta que as condutas teriam sido utilizadas para constranger e tentar influenciar a escolha política das trabalhadoras.
Além da indenização de R$ 5 milhões, que, se determinada pela Justiça, deverá ser destinada a fundos públicos ou projetos sociais, o MPT apresentou 18 obrigações e pediu medidas em caráter de urgência. Entre elas estão a proibição de condicionar contratação, demissão, salário ou benefícios à preferência política dos empregados.
O Ministério Público Eleitoral de Alagoas também abriu procedimento para apurar possível coação eleitoral relacionada ao episódio, e o caso foi encaminhado à Polícia Federal para investigação.
Após a repercussão, Rico publicou uma retratação e afirmou que as mulheres que aparecem no vídeo são familiares e teriam concordado com a gravação. O influenciador declarou ainda ter consciência das responsabilidades relacionadas às legislações trabalhista e eleitoral.
Pré-candidatura e investigação anterior
Rico Melquíades chegou a se filiar ao PSDB e anunciou intenção de disputar uma vaga de deputado federal por Alagoas em 2026, mas posteriormente retirou a pré-candidatura.
O influenciador também foi investigado anteriormente no âmbito da Operação Game Over 2, relacionada à divulgação de jogos de apostas. Em 2025, foi divulgado que ele celebrou um acordo de não persecução penal que incluiu o pagamento de R$ 1 milhão e outras condições.

