
O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quarta-feira, 6, em Brasília a escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu vice para as eleições de 2026, colocando no centro da chapa uma série de investigações e acusações graves. O anúncio formaliza uma chapa pura após legendas de centro recusarem coligação, mas a indicação ocorre enquanto o parlamentar é alvo de apurações por suposto estupro de vulnerável e irregularidades na destinação de emendas.
A contestação mais severa contra o candidato a vice é uma representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), referente a uma acusação de estupro de vulnerável envolvendo uma adolescente de 13 anos no passado. Com base nos relatos apresentados por parlamentares governistas durante os trabalhos do Congresso, a Polícia Federal (PF) solicitou formalmente a abertura de inquérito contra o deputado. A apuração tramita sob sigilo com o ministro Gilmar Mendes e aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A defesa de Alfredo Gaspar nega categoricamente as acusações e sustenta que a denúncia se trata de uma retaliação política motivada por sua atuação legislativa. Para demonstrar sua inocência, o parlamentar submeteu-se voluntariamente a um exame de DNA na Polícia Científica de Alagoas e acionou a Justiça contra seus acusadores. O deputado alega que a ação judicial que motivou o teste genético ajudará a esclarecer a veracidade dos fatos imputados a ele.

Fiscalização do TCU e trajetória política
Além do processo no Supremo, o vice na chapa do PL responde a uma auditoria instaurada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A fiscalização apura indícios de irregularidades no direcionamento de cerca de R$ 6 milhões em emendas parlamentares enviadas ao município de São José da Laje, em Alagoas. Em resposta às cobranças feitas pelos auditores federais, o deputado declarou publicamente que a destinação dos recursos atendeu integralmente à legislação.
O perfil de Alfredo Gaspar é marcado por mais de vinte anos de atuação no Ministério Público de Alagoas (MP-AL), onde ocupou o cargo de Procurador-Geral de Justiça. O ex-promotor de 55 anos também comandou a Secretaria de Segurança Pública alagoana antes de conquistar o mandato na Câmara dos Deputados em 2022. No ambiente parlamentar, consolidou sua imagem na oposição ao atuar como relator da CPMI do INSS.
A oficialização da candidatura encerra a tentativa da campanha bolsonarista de atrair nomes femininos de outros partidos para ampliar alianças. Ao optar por um companheiro de partido com forte discurso focado na segurança pública, o grupo político aposta na pauta conservadora para enfrentar o eleitorado nas urnas.

