
O cabo da Polícia Militar Bruno Everson Pinto dos Santos, preso por suspeita de envolvimento na morte do investigador da Polícia Civil Luciano Carvalho de Sena, aparece chorando em um áudio que circula nas redes sociais e aplicativos de mensagens.
Na gravação, o policial nega qualquer participação no assassinato ou no tráfico de drogas e afirma que agentes da Polícia Civil teriam colocado entorpecentes dentro de sua picape após o veículo ser localizado em um condomínio. Segundo o PM, ele decidiu procurar espontaneamente a Delegacia Geral acompanhado de um advogado após saber que um conhecido havia participado do confronto que terminou com a morte do investigador.
Por que o policial militar foi preso
A Polícia Civil informou que Bruno Everson foi preso após ser identificado como proprietário da picape utilizada pelos suspeitos na fuga após o assassinato do investigador Luciano Carvalho de Sena, ocorrido durante uma operação do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste de Manaus.
No áudio que circula nas redes sociais, o cabo Bruno Everson chora e nega envolvimento no crime. Segundo ele, a droga encontrada em sua picape teria sido colocada por agentes da Polícia Civil. “Aí que eles foram lá no condomínio onde estava meu carro e encheram de droga, mano! Encheram de droga. Eu juro pelo meu filho que eu não tenho nada a ver, não tinha droga no meu carro. Eu nunca vou querer fazer uma merda dessa para me queimar com meu filho”, afirma o policial na gravação.
O veículo foi abandonado pouco depois do crime e, conforme a investigação, cinco tabletes de drogas foram encontrados em seu interior.
A principal linha investigativa aponta a suspeita de que a droga apreendida seria proveniente de um esquema conhecido como “arrocho”, termo utilizado para descrever o desvio ilegal de entorpecentes apreendidos em operações policiais para posterior revenda ao tráfico.
O que a Polícia Civil investiga
Os investigadores apuram se o cabo teria fornecido drogas desviadas aos criminosos envolvidos no assassinato do policial civil.
Além disso, a Polícia Civil investiga:
a origem dos entorpecentes encontrados na picape;
a eventual participação do policial no esquema criminoso;
a dinâmica da execução do investigador;
a responsabilidade de cada suspeito no homicídio.
Até o momento, as acusações feitas pelo policial no áudio não foram confirmadas pelas autoridades.
Quem são os demais envolvidos no caso
A investigação resultou na prisão de Mayara Silva da Silva, localizada em um condomínio no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.
Já Rafael Pereira Freitas, apontado pela Polícia Civil como autor dos disparos que mataram o investigador Luciano Carvalho de Sena, morreu durante troca de tiros com equipes policiais no distrito de Novo Remanso, em Itacoatiara, após resistir à abordagem.
Um terceiro suspeito também foi detido durante as diligências realizadas pelas forças de segurança.
O policial possui antecedentes
De acordo com informações divulgadas durante a investigação, Bruno Everson possui passagem anterior pela Justiça por roubo (artigo 157 do Código Penal).
Também há registro de que, em 2023, ele foi investigado após utilizar um veículo oficial da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) em uma ocorrência relacionada à tentativa de roubo de uma carga de drogas na região do Mauazinho.

