De acordo com a investigação, Lulinha é apontado como suspeito de utilizar sua proximidade com o presidente da República para facilitar negócios

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um novo inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido, encaminhado à Corte, trata de suspeitas de tráfico de influência envolvendo empresas que mantêm contratos com o governo federal.
De acordo com a investigação, Lulinha é apontado como suspeito de utilizar sua proximidade com o presidente da República para facilitar negócios e beneficiar empresas parceiras. Entre elas está a 3Structure IT LTDA, empresa do setor de tecnologia que possui contratos em vigor com órgãos federais que somam R$ 55,7 milhões.
Fundada em 2019 e sediada em Florianópolis, a empresa firmou seu primeiro contrato com o Centro Integrado de Telemática do Exército em novembro de 2022. O acordo previa o fornecimento de soluções de tecnologia da informação e comunicação para ampliar a infraestrutura de armazenamento do sistema de telemática da instituição. Inicialmente avaliado em R$ 21,8 milhões, o contrato recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões em julho deste ano.
A nova investigação ocorre poucos dias após o ministro do STF André Mendonça autorizar outro inquérito contra Lulinha. Nesse caso, a apuração busca esclarecer suspeitas dos crimes de tráfico de influência e corrupção passiva no Ministério da Saúde, relacionadas ao suposto favorecimento do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
As suspeitas surgiram a partir das quebras de sigilo realizadas durante a Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a Polícia Federal, há indícios de que Lulinha teria utilizado sua influência junto ao governo federal para beneficiar terceiros, incluindo pessoas interessadas na comercialização de canabidiol.
Entre os investigados citados nas apurações está Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema de fraudes envolvendo descontos ilegais em benefícios previdenciários.
Além desses casos, André Mendonça também autorizou outra investigação para apurar a suposta atuação de Lulinha em favor de um empresário durante negociações com a Dataprev, empresa pública responsável pelo processamento de dados de programas sociais, como INSS, Bolsa Família e seguro-desemprego.
Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que o investigado é alvo de perseguição por ser filho do presidente da República. O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que a instauração dos inquéritos representa uma “pesca probatória” e comparou a atuação de setores da Polícia Federal aos métodos utilizados durante a Operação Lava Jato. Segundo ele, os procedimentos não teriam sido instaurados caso Lulinha não tivesse vínculo familiar com o chefe do Executivo.

