
A Polícia Federal identificou indícios de que a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aparentava ter autorização para se apresentar como representante dele em negociações e contatos com integrantes do governo federal.
A informação consta de um relatório produzido pela PF em uma das investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a empresária. O documento foi divulgado inicialmente pelo Estadão e repercutido nesta terça-feira (18).
As mensagens analisadas pelos investigadores indicariam que Roberta mantinha interlocução em assuntos relacionados a negócios junto à administração pública. A apuração busca esclarecer se a relação entre os envolvidos ultrapassava vínculos pessoais e poderia envolver intermediação de interesses privados dentro do governo.
Investigação envolve Ministério da Saúde e Dataprev
Lulinha é atualmente alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas relacionadas a tráfico de influência. Duas investigações estão sob relatoria do ministro André Mendonça e uma terceira foi autorizada pelo ministro Flávio Dino em agosto. Os procedimentos tramitam sob sigilo.
Uma das apurações envolve suspeitas de que Lulinha teria atuado para facilitar contatos e reuniões relacionados a um negócio de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. A investigação também examina a atuação de Roberta Luchsinger como possível intermediária.
Outro inquérito apura possíveis contatos com a Dataprev, empresa vinculada ao governo federal, para beneficiar um empresário e prospectar contratos. A Dataprev afirmou que não possui contrato com a empresa citada na investigação e declarou que suas contratações seguem processos licitatórios e normas legais.
Minuta de contrato chegou a ex-chefe de gabinete de Lula
Entre os elementos analisados pela PF estão mensagens que mostram Roberta encaminhando ao ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, uma minuta de contrato para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
Segundo as informações divulgadas, a proposta previa uma contratação sem licitação, mas o negócio não chegou a ser concretizado. Marcola confirmou ter recebido o documento, mas negou ter dado andamento à proposta ou favorecido a empresária.
A PF também investiga relações financeiras e encontros envolvendo Roberta, Lulinha e pessoas ligadas às negociações. As apurações tiveram origem em elementos encontrados durante a investigação das fraudes no INSS, mas Lulinha não é investigado por participação direta nas fraudes dos benefícios previdenciários; as suspeitas contra ele dizem respeito principalmente a possível tráfico de influência em negócios com órgãos públicos.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Lulinha nega qualquer participação em irregularidades e já questionou a forma como informações sigilosas da investigação vêm sendo divulgadas. Os advogados afirmam que ele não possui relação direta ou indireta com práticas ilícitas e criticam o que classificam como vazamentos seletivos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também afirmou recentemente que acredita na inocência do filho, mas defendeu que as investigações continuem. Segundo Lula, caso sejam comprovadas irregularidades, Lulinha deverá responder pelos atos.
As investigações continuam sob sigilo no STF. Até o momento, não há condenação contra Lulinha, e os elementos apontados pela Polícia Federal ainda serão submetidos à análise das autoridades responsáveis pelo caso.

