Rede internacional de coiotes cobra até R$ 51 mil por migrante e já é alvo de operações policiais em Roraima.

Uma nova rota de migração irregular que atravessa a Amazônia brasileira colocou autoridades federais em estado de alerta. O aumento expressivo da entrada de cubanos pela fronteira entre Guiana e Brasil levou forças de segurança a intensificarem operações de fiscalização e combate a organizações criminosas suspeitas de lucrar com o transporte clandestino de migrantes.
Somente entre janeiro e junho deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatou 225 cidadãos cubanos em situação irregular durante abordagens realizadas na BR-401, rodovia que conecta Boa Vista à fronteira com a Guiana. O número representa uma explosão no fluxo migratório quando comparado aos anos anteriores, que registraram cerca de 60 casos anuais.
O avanço da rota também revelou um cenário marcado por exploração financeira, condições degradantes de viagem e riscos constantes de acidentes fatais.
Travessia começa na Guiana
Segundo investigações das autoridades, a maior parte dos migrantes sai de Cuba em voos comerciais com destino à capital da Guiana, Georgetown.
A partir dali, seguem por via terrestre até a cidade de Lethem, localizada na fronteira com o município brasileiro de Bonfim, em Roraima.
A entrada no Brasil ocorre de diferentes formas. Alguns atravessam a pé a ponte internacional que liga os dois países. Outros utilizam embarcações clandestinas para cruzar trechos do rio que separa os territórios.
Depois da travessia, os migrantes seguem pela BR-401 rumo a Boa Vista, principal porta de entrada para o restante do país.
Coiotes cobram até R$ 51 mil por pessoa
As investigações apontam a existência de uma estrutura criminosa organizada para facilitar o deslocamento dos cubanos.
De acordo com a PRF, os chamados coiotes chegam a cobrar cerca de US$ 10 mil por pessoa, valor equivalente a aproximadamente R$ 51 mil.
O pacote inclui transporte terrestre, travessias de fronteira, hospedagens temporárias e deslocamentos internos dentro do Brasil.
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Desde o início do ano, 16 suspeitos de atuar nesse esquema foram presos.
“Existe uma rede bem coordenada que envolve brasileiros, guianenses e cubanos, que organizam toda a viagem”, afirmou Isaías Magalhães, chefe de comunicação da PRF em Roraima.
Segundo ele, o transporte clandestino se tornou uma atividade altamente lucrativa. Em alguns casos, veículos projetados para cinco ocupantes transportam até 12 pessoas por viagem.
A estimativa é que cada deslocamento possa render entre R$ 10 mil e R$ 15 mil aos envolvidos.
Operação investiga rede internacional
Diante do aumento dos casos, a Polícia Federal lançou a Operação Conexão Norte para identificar integrantes da organização suspeita de promover migração ilegal.
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em Boa Vista e também na cidade de Bonfim, considerada uma das principais portas de entrada da rota.
As investigações apontam para uma atuação integrada entre brasileiros, cubanos e guianenses responsáveis por organizar todas as etapas da viagem.
Embora ninguém tenha sido preso durante a operação mais recente, os investigadores afirmam que o grupo segue sob monitoramento.
Migrantes relatam crise em Cuba
Entre os motivos que impulsionam a saída de cubanos está o agravamento da crise econômica e social no país caribenho.
A cubana Beatriz, de 29 anos, relatou que deixou sua terra natal em busca de melhores condições de vida.
“Cuba tem muitos problemas. Não tem luz, água, gás, comida, os preços estão altos e o salário não alcança”, afirmou.
O país enfrenta uma grave crise energética que tem provocado apagões frequentes, redução de serviços públicos e dificuldades no abastecimento básico.

