
A circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, entre o Irã e Omã, no Oriente Médio, enfrenta novos riscos após uma série de ataques registrados na região desde o início da guerra, no fim de fevereiro. Um dos episódios mais recentes envolveu o cargueiro GFS Pride, que transportava mais de 2.500 contêineres e afundou na quarta-feira (14), depois de atingir uma mina marítima.
Nos dias seguintes ao acidente, pescadores foram vistos recolhendo mercadorias que ficaram na água. Entre os produtos encontrados estão centenas de iPhones, perfumes e outros artigos. Imagens publicadas pelo jornal britânico The Telegraph mostram barcos passando entre os contêineres e uma embarcação rebocando uma dessas estruturas.
A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou que o GFS Pride entrou em uma rota considerada não autorizada pelas autoridades iranianas antes de atingir a mina. O impacto provocou um incêndio, que terminou com a perda do navio. Após o ocorrido, a força iraniana alertou pescadores sobre os perigos de navegar entre os contêineres à deriva.
O cargueiro está entre as embarcações perdidas durante a escalada militar na região. Segundo o The Telegraph, foi o terceiro navio a afundar desde o começo da guerra e o segundo em um período de 24 horas. Em setembro, o Cape Dao, de bandeira de Antígua e Barbuda, também foi perdido após um ataque.
A disputa em torno da passagem marítima avançou para o campo diplomático e militar. Na sexta-feira (16), o Irã declarou que a reabertura do Estreito de Ormuz está condicionada à retirada das forças americanas. O brigadeiro-general Mohammad Akraminia, porta-voz do Exército iraniano, ameaçou expulsar os militares dos Estados Unidos caso permaneçam na região.
Akraminia também atribuiu aos Estados Unidos a insegurança no lado leste do estreito e orientou os proprietários de navios a utilizarem um corredor estabelecido pelas Forças Armadas iranianas. Segundo ele, as embarcações que seguirem o trajeto indicado estarão seguras.


