
Um personal trainer de 39 anos foi preso em flagrante na noite deste sábado (3), em Manaus, após ser abordado pela Polícia Militar com R$ 70,8 mil em espécie, materiais de campanha eleitoral e listas com nomes e contatos de pessoas. A ocorrência foi registrada na véspera do primeiro turno das Eleições 2026.
A abordagem aconteceu no bairro São Jorge, na zona oeste da capital. Segundo relatório da Polícia Federal (PF), os policiais faziam patrulhamento quando perceberam um veículo que havia saído de um imóvel na Avenida Brasil. O carro era conduzido pelo personal trainer.
Dentro do veículo, foram encontrados pacotes com dinheiro, santinhos dos candidatos a deputado estadual Dr. Eduardo Assis (Avante) e Adail Filho (MDB), além de listas com nomes e números de telefone. Também havia envelopes identificados com nomes e contendo valores já separados.

Um estudante de 22 anos estava no carro e também foi levado pelos policiais. Conforme a PF, ele acabou liberado posteriormente por falta de indícios de participação nas condutas investigadas. O personal trainer afirmou que apenas havia dado carona ao jovem.
O celular do personal trainer também foi apreendido. Neste domingo (4), o delegado da Polícia Federal Erasmo Soares da Silva solicitou a quebra do sigilo dos dados armazenados no aparelho.
Investigação
Para a Polícia Federal, o conjunto de materiais encontrados pode indicar que o dinheiro seria utilizado para distribuição de vantagens em troca de votos. A corporação citou a quantidade de dinheiro, os materiais de campanha e as listas de contatos como elementos analisados em conjunto.
A PF também apontou que os documentos localizados no veículo não seriam registros financeiros da empresa do investigado. Entre eles, havia uma relação com nomes e telefones e um banco de dados identificado como “guigui”, com informações como nome da mãe, data de nascimento e contatos.
Na delegacia, o personal trainer apresentou outra versão para a origem dos R$ 70,8 mil. Ele afirmou que o dinheiro pertencia à própria empresa e havia sido acumulado durante cerca de cinco ou seis meses com serviços de logística.
“Quanto ao recurso que foi encontrado no veículo, era um recurso próprio da minha empresa de recursos prestados que eu já vinha recebendo ao longo do tempo. E esse recurso era o que eu iria pagar toda minha equipe de funcionários”, disse.
Segundo ele, o valor não teria sido recebido de uma única prestação de serviço.
“Foi de serviços que eu fui realizando e foi acumulando. Eu vinha guardando esse dinheiro há algum tempo. Não foi de um único serviço. Foi ao longo de meses acumulados”, completou.
O investigado também afirmou que não é filiado a partido político e negou trabalhar diretamente para candidatos. Ele declarou que amigos ligados às campanhas teriam pedido sua ajuda por causa do número de funcionários que possui.
Nas redes sociais, há publicações do personal trainer em apoio a Eduardo Assis e Adail Filho.
Durante o depoimento, ele também foi questionado sobre os materiais de campanha encontrados no veículo. Inicialmente, afirmou que não havia conversado com funcionários sobre o assunto. Depois, disse ter comentado com algumas pessoas.
Questionado sobre o destino dos santinhos, respondeu que havia recebido o material de amigos e que os itens ficaram no carro.
Liberdade provisória
Neste domingo, durante audiência de custódia, a juíza plantonista Vanessa Leite concedeu liberdade provisória ao personal trainer. A decisão estabeleceu medidas cautelares, incluindo o pagamento de fiança de 40 salários mínimos, valor estimado em R$ 64,8 mil.
A Polícia Federal informou que o homem foi autuado em flagrante por suspeita dos crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral.
O material apreendido será analisado durante a investigação. A PF informou que as diligências continuam para esclarecer as circunstâncias do caso e verificar eventual participação de outras pessoas.

