Investigação aponta movimentação de mais de R$ 26 bilhões por empresas ligadas ao crime organizado em esquema de lavagem de dinheiro.

Uma nova fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), revelou que fintechs estavam sendo utilizadas como uma espécie de “bancos paralelos” pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes fiscais no setor de combustíveis.
Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Receita Federal e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), empresas de tecnologia financeira eram usadas para movimentar recursos ilícitos fora do sistema bancário tradicional, dificultando o rastreamento das operações pelas autoridades.
De acordo com a Receita Federal, seis fintechs investigadas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. O dinheiro seria utilizado em práticas de sonegação fiscal, blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado.
As investigações apontam ainda que o grupo utilizava “contas bolsão”, mecanismo financeiro que centralizava recursos antes de redistribuí-los para diferentes destinatários, dificultando a identificação dos beneficiários finais das transações.
Operação mira empresários e laranjas
A operação desta quinta-feira cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em estados como São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os alvos incluem empresários do setor de combustíveis, operadores logísticos e pessoas usadas como “laranjas” para ocultar patrimônio e movimentar dinheiro ilícito.
As autoridades também identificaram o uso de empresas de fachada registradas em nome de presos e pessoas em situação de vulnerabilidade social para ocultar a origem do dinheiro.

