Passageiros denunciaram que o barco apresentava sinais de superlotação

Na madrugada desta terça-feira (30) a volta de alguns passageiros, após o encerramento do Festival Folclórico de Parintins, foi marcada por denúncias de irregularidades na venda de passagens, risco à segurança, superlotação e um caso de transfobia. A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar e da Marinha do Brasil, que interromperam o embarque para fiscalizar as condições da embarcação antes da liberação da viagem.
Segundo relatos dos passageiros, os problemas começaram ainda no momento da compra das passagens. De acordo com as denúncias, os bilhetes foram comercializados como sendo para um ferryboat, com preços entre R$ 150 e R$ 200. No entanto, ao chegarem ao porto, os viajantes afirmam que encontraram uma embarcação comum, diferente da anunciada durante a venda.
Além da divergência entre o serviço ofertado e o efetivamente disponibilizado, passageiros denunciaram que o barco apresentava sinais de superlotação. Conforme os relatos, funcionários responsáveis pelo embarque orientaram que as redes poderiam ser instaladas nas laterais da embarcação, desde que fossem retiradas durante a passagem pela fiscalização da Capitania dos Portos.
Uma das atendentes, segundo testemunhas, teria afirmado que as redes deveriam ser retiradas apenas para “fingir que estava tudo bem” durante a inspeção, declaração que gerou indignação entre os passageiros.
Acidentes durante o embarque
As condições do local de embarque também foram alvo de críticas. Conforme os passageiros, a embarcação estava atracada em um ponto considerado inadequado para esse tipo de operação, aumentando os riscos durante o acesso ao barco.
Durante a confusão, dois homens caíram no vão entre a plataforma e a embarcação. Outra pessoa também sofreu uma queda ao tentar embarcar. Em um dos casos, um passageiro caiu na água entre duas embarcações, sofreu ferimentos e perdeu objetos pessoais.
Vídeos e fotos feitos pelos próprios passageiros registraram os acidentes, a movimentação intensa no porto e as dificuldades enfrentadas durante o embarque.
Polícia Militar e Marinha interrompem embarque
Diante das denúncias, equipes da Polícia Militar e da Marinha do Brasil foram acionadas. Após chegarem ao local, os agentes determinaram que todos os passageiros desembarcassem para que fosse realizada uma nova contagem de ocupantes e uma inspeção nas condições da embarcação antes da autorização para a viagem.
A fiscalização ocorreu em meio às reclamações sobre a quantidade de passageiros e as condições de segurança oferecidas durante o transporte fluvial.
Passageiro denuncia transfobia durante ocorrência
Durante a confusão, passageiros também denunciaram um episódio de transfobia envolvendo um homem trans.
Segundo testemunhas, ele procurou um dos responsáveis pela embarcação para solicitar informações sobre o embarque, momento em que teria sido alvo de agressões verbais e intimidação física.
Ainda conforme os relatos, o responsável teria afirmado: “Tu é uma mulher pra mim, olha a tua estatura”. A situação provocou revolta entre os passageiros que acompanhavam a discussão.
Passageiros reclamam de dificuldades para receber reembolso
No dia seguinte, parte dos passageiros recebeu a oferta de transferência para outra embarcação na tentativa de minimizar os transtornos. No entanto, novas reclamações surgiram em relação ao ressarcimento dos valores pagos.
Segundo os relatos, houve dificuldade para receber a diferença entre o preço da passagem vendida como ferryboat e o valor correspondente ao transporte em embarcação comum, cuja tarifa costuma variar entre R$ 100 e R$ 120.
Os passageiros afirmam que registraram boletins de ocorrência e reuniram vídeos, fotografias e outros documentos que poderão servir como provas em eventual investigação conduzida pelos órgãos competentes.
Eles também cobram maior fiscalização sobre a venda de passagens, as condições das embarcações utilizadas no transporte fluvial entre Parintins e Manaus e a responsabilização dos envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas.

