Psicóloga defende que acolhimento e apoio psicológico fazem diferença no tratamento do câncer de mama

O Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre o câncer de mama, chama a atenção também para a saúde mental das pacientes. Além dos desafios físicos provocados pela doença, o diagnóstico pode trazer medo, tristeza e mudanças na autoestima.
Nesse processo, o acompanhamento psicológico, o acolhimento familiar e os grupos de apoio podem ajudar as mulheres a enfrentar as dificuldades. A psicóloga Suzane Anselmo destaca a importância de cuidar das emoções durante o tratamento oncológico. Segundo ela, o acompanhamento psicológico ajuda a paciente a lidar com os sentimentos e com as mudanças provocadas pela doença.
“Uma mulher que consegue ter o equilíbrio emocional, que consegue fortalecer, que consegue fazer uma terapia ou um acompanhamento, naturalmente esses riscos diminuem. Ela pode até não evitar que tenha, mas até a forma de tratar vai ser diferente e as chances de recuperação. Quando essa mulher está saudável emocionalmente, mesmo numa condição de doença, isso vai fazer muita diferença no tratamento dela”, afirma.
Suzane também alerta para a importância de acolher sem minimizar o sofrimento. Em vez de dizer que a paciente é forte ou que tudo vai passar, ela orienta que familiares e amigos demonstrem disponibilidade e ofereçam apoio.
“Talvez nesse momento ela precise ouvir que realmente o processo é difícil, mas ela vai ter com quem contar, que ela vai ter uma rede de apoio, que para o que ela precisar, ela vai ter pessoas que ela vai poder realmente confiar. A tentativa de tentar amenizar a situação, até mesmo nem puxar o assunto, para evitar que a pessoa sofra, não faz com que amenize a dor”, explica.
A psicóloga ressalta ainda que as mudanças na aparência podem afetar diretamente a autoestima. A queda de cabelo e a possibilidade de retirada da mama estão entre as preocupações que surgem após o diagnóstico. Por isso, é importante ajudar a mulher a compreender que sua saúde vai além da imagem corporal.
Rede de apoio ajuda a enfrentar o tratamento
A experiência da paciente oncológica Giselly Lira, de 45 anos, mostra como o acolhimento pode fazer diferença durante esse período. Após conhecer projetos sociais voltados a pessoas com câncer, ela encontrou espaços de convivência, troca de experiências e apoio emocional.
Giselly conta que descobriu a doença ao perceber mudanças na mama. Primeiro, sentiu o seio mais rígido e, cerca de 15 dias depois, identificou um nódulo durante o autoexame. Assustada, procurou ajuda médica, mesmo sem ter o hábito de fazer mamografia ou ultrassonografia.
Em outubro, aproveitou os valores mais acessíveis dos exames durante a campanha Outubro Rosa e realizou uma ultrassonografia mamária, que apontou suspeita de câncer. Após outros exames e uma biópsia, recebeu o diagnóstico de carcinoma em 23 de novembro. Ela destaca que procurou atendimento logo após perceber o nódulo, o que permitiu identificar a alteração ainda no início.

