Especialista em distúrbios do sono, o médico e professor Diego Carvalho explica que o ronco frequente pode ser sinal de apneia, condição que aumenta o risco de doenças cardiovasculares e afeta a qualidade de vida

Dormir e roncar parece algo natural para muita gente e, de fato, o som pode até ser motivo de brincadeira entre casais e famílias. Mas, em alguns casos, esse barulho noturno é mais do que um incômodo: é o primeiro sinal de que algo não vai bem com o corpo.
De acordo com o otorrinolaringologista Dr. Diego Carvalho, especialista em distúrbios do sono com atuação em Manaus, o ronco é um dos principais sintomas da apneia obstrutiva do sono, condição que interrompe repetidamente a respiração durante o descanso e pode trazer consequências sérias se não for tratada.
Segundo o médico, o ronco nem sempre é um sinal de problema, mas merece atenção quando é alto, frequente e persistente, especialmente se vier acompanhado de pausas na respiração, cansaço excessivo ou sonolência diurna.
Dr. Diego Carvalho, otorrinolaringologista especializado em distúrbios do sono, atua em Manaus com foco no diagnóstico e tratamento da apneia do sono. Foto: Daniel Brandão“O ronco por si só não é sempre sinal de uma doença, mas quando é constante e vem com outros sintomas, precisa ser visto como alerta para apneia do sono, que é uma condição potencialmente grave”, explica o especialista.
A apneia ocorre devido ao colapso das vias aéreas superiores durante o sono, causado por fatores anatômicos, como redução do espaço na garganta, excesso de tecido ou obstruções nasais, além de hábitos como dormir de barriga para cima e uso de álcool à noite. Características relacionadas ao envelhecimento e ao excesso de peso também estão entre os principais gatilhos. Essas causas podem atuar isoladamente ou em conjunto.
Riscos além do sono
A apneia do sono não tratada pode ter consequências amplas no organismo. “Se não tratada, a apneia pode levar a doenças cardiovasculares graves, como hipertensão, infarto, AVC e arritmias, além de causar comprometimento do metabolismo, irritabilidade, piora da memória e risco aumentado de acidentes devido ao sono insuficiente”, alerta Dr. Diego.
Estudos mostram que pacientes com apneia do sono não tratados têm maior risco de mortalidade cardiovascular. “A literatura é bem clara em mostrar que pacientes com apneia do sono não tratados têm maior risco de mortalidade cardiovascular comparados aos pacientes tratados, mostrando que a sobrevida é significativamente maior com tratamento adequado, especialmente com CPAP, que reduz esse risco”, acrescenta o médico.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico envolve uma avaliação clínica detalhada e o exame de polissonografia, que monitora respiração, oxigenação, batimentos cardíacos e ondas cerebrais durante o sono.“É importante identificar o grau e o tipo da apneia para definir o melhor tratamento. O perfil mais comum é de homens acima do peso, com ronco intenso e cansaço diurno, mas há variações”, explica.
O médico lembra que o ronco pode atingir qualquer pessoa, inclusive jovens e magros. “A diferença é que, nesses casos, as causas costumam ser anatômicas mais específicas, enquanto em pessoas mais velhas ou com sobrepeso o excesso de tecido e a perda de tônus muscular são fatores decisivos.”
As opções de tratamento variam conforme o grau da doença. Entre elas estão o CPAP ,aparelho que mantém as vias aéreas abertas durante o sono, os aparelhos intraorais, que reposicionam a mandíbula, e cirurgias voltadas à correção de obstruções anatômicas.
Mudanças de hábitos também são fundamentais, incluindo a perda de peso, a prática regular de exercícios e a redução do consumo de álcool.“O CPAP é atualmente o método mais eficaz para casos moderados a graves, e quando usado corretamente transforma a vida do paciente”, afirma Dr. Diego.
O uso do CPAP é considerado o tratamento mais eficaz para casos moderados e graves de apneia do sono, mantendo as vias respiratórias abertas durante o descanso. Foto: Reprodução/Internet
Os resultados costumam ser rápidos e perceptíveis. “Pacientes que passam a usar CPAP ou realizam cirurgia relatam melhora significativa na disposição, humor e qualidade do sono, o que contribui para segurança e bem-estar geral”, diz o otorrinolaringologista.
Cuidados e prevenção
O controle e a prevenção da apneia envolvem medidas simples, mas consistentes. Evitar ganho de peso, controlar doenças associadas, melhorar a postura para dormir, inclusive preferindo a posição lateral, praticar atividade física e não ingerir bebidas alcoólicas perto da hora de deitar estão entre as recomendações.
“Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e ter noites mais tranquilas. Dormir bem é um investimento em saúde e qualidade de vida”, conclui Dr. Diego Carvalho.

