Suspeita é investigada por integrar esquema do grupo criminoso que acessava dados sigilosos da Justiça do Amazonas.

Uma mulher identificada como Lucila Meireles Costa, de 42 anos, foi presa na manhã desta sexta-feira (20), no Centro de Teresina (PI), suspeita de se passar por advogada para acessar informações sigilosas da Justiça do Amazonas e repassá-las a integrantes do Comando Vermelho (CV).
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
Sobre a Operação
Segundo as investigações, Lucila utilizava de forma irregular um token profissional vinculado a uma advogada regularmente inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM) para acessar sistemas restritos do Judiciário amazonense.
O dispositivo, além de celulares e anotações, foi apreendido durante o cumprimento do mandado de prisão preventiva, executado com apoio da Diretoria de Operações Policiais (DEOP).
A PC-AM aponta que a suspeita integrava um núcleo responsável por obter dados estratégicos de processos sigilosos, inclusive por meio da corrupção de servidores.
Após ser interrogada, ela foi encaminhada ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça do Amazonas.
Operação mira estrutura ligada ao CV

A Operação Erga Omnes tem como alvo uma organização criminosa com atuação interestadual investigada por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. Até o momento, 14 pessoas haviam sido presas, sendo oito no Amazonas.
Entre os detidos está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Também foram alvos um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores parlamentares.
Ao todo, a Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de autorizar bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário e fiscal. As ordens foram cumpridas no Amazonas, Piauí, Ceará, Maranhão, Pará e Minas Gerais.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Civil, o grupo operava com divisão de funções em núcleos operacional, financeiro e logístico. Empresas de fachada, especialmente nos setores de transporte e logística, seriam usadas para movimentar recursos ilícitos e viabilizar a compra de drogas na região de fronteira com a Colômbia.
A droga era enviada para Manaus e, posteriormente, distribuída para outros estados por rotas fluviais e terrestres. Investigações financeiras apontam movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada dos suspeitos e transferências entre integrantes da organização e empresas ligadas ao grupo.
O caso é um desdobramento de uma apreensão anterior que resultou na interceptação de mais de 500 tabletes de skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações e um veículo utilizado na logística do tráfico.
Volume milionário
A Polícia Civil estima que o esquema tenha movimentado aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018, com média anual de aproximadamente R$ 9 milhões. Parte dos recursos de aproximadamente R$ 1,5 milhão teria sido destinada diretamente à facção criminosa.
Lista de presos
Entre os investigados, além de Lucila, estão:
Veja os nomes dos alvos no AM:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus.
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
- Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.
- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara
Os investigados podem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. As investigações seguem em andamento.

