
A fumaça das queimadas voltou a encobrir Manaus e colocou a população diante de mais um episódio de poluição atmosférica severa. Enquanto moradores enfrentam dificuldades com a qualidade do ar, cresce a cobrança por respostas efetivas das autoridades, incluindo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diante da crise ambiental que atinge o Amazonas.
Na manhã de sexta-feira (16), a plataforma internacional IQAir registrou índice de qualidade do ar de 167 na capital amazonense, classificação considerada insalubre. Com isso, Manaus voltou a ocupar a posição de capital brasileira com maior poluição atmosférica naquele momento, segundo dados divulgados pela Agência Brasil.
O agravamento do cenário levou à suspensão das aulas presenciais da rede municipal de ensino e das atividades acadêmicas presenciais da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). As medidas foram adotadas para reduzir a exposição de estudantes e profissionais à fumaça.
Governo federal é alvo de cobranças
A dimensão da crise levanta questionamentos sobre a capacidade de prevenir os incêndios, responsabilizar os responsáveis e proteger a população dos efeitos da poluição. As cobranças também recaem sobre o governo federal, responsável por coordenar políticas nacionais de combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, em articulação com estados e municípios.
A pressão ocorre em meio à continuidade dos focos de incêndio e aos impactos sentidos na capital. A população precisa conviver com o céu encoberto, a presença de partículas poluentes no ar e os riscos à saúde, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Apesar das críticas, o governo federal informou que mantém uma força-tarefa no Amazonas. De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil, o Ibama havia extinguido 303 focos de incêndio no estado desde o início das operações e 11 aeronaves estavam mobilizadas para apoiar o combate ao fogo. Os números, porém, não significam que a crise esteja resolvida: a fumaça continuava afetando Manaus.
Justiça cobra explicações sobre medidas contra queimadas
A atuação dos governos também passou a ser questionada judicialmente. Em decisão divulgada nesta semana, a Justiça Federal estabeleceu prazo de dez dias para que a União, o Ibama e os governos do Amazonas e do Pará apresentem informações sobre as medidas adotadas contra as queimadas, incluindo recursos utilizados, fiscalização e operações em andamento.
A determinação ocorreu no âmbito de uma ação popular que aponta possíveis falhas na atuação dos órgãos públicos durante a estiagem de 2026. A decisão cobra esclarecimentos e não representa, por si só, uma conclusão judicial de que houve omissão.
Críticas nas redes sociais
Em vídeo publicado nas redes sociais, Willace Souza, ex-candidato, criticou a resposta das autoridades à crise ambiental no Amazonas e cobrou maior mobilização para enfrentar as queimadas. Entre os pontos levantados por ele estão a quantidade de aeronaves empregadas nas operações e a prioridade dada pelo governo federal ao problema.
As declarações fazem parte da avaliação do autor do vídeo. Alegações específicas apresentadas por ele, incluindo comparações de gastos públicos e afirmações sobre as prioridades políticas do presidente, precisam ser verificadas de forma independente antes de serem tratadas como fatos.
Enquanto as discussões políticas avançam, a fumaça continua sendo um problema concreto para quem vive em Manaus. A cobrança central é por medidas capazes de conter os incêndios, reduzir os impactos sobre a saúde e impedir que a população permaneça exposta a episódios recorrentes de poluição severa.

