O composto químico é utilizado principalmente na fabricação de plásticos, resinas e outros produtos industriais

pós o vazamento de gás provocado pelo monômero de estireno, registrado nesta quarta-feira (15/7) em uma empresa localizada no Distrito Industrial, na zona Sul de Manaus, uma das principais dúvidas da população é sobre os riscos que a substância pode oferecer à saúde e ao meio ambiente. O composto químico é utilizado principalmente na fabricação de plásticos, resinas e outros produtos industriais.
De acordo com a Ficha de Dados de Segurança (FDS) adotada pela empresa onde ocorreu o vazamento, o monômero de estireno é um líquido inflamável que libera vapores capazes de provocar incêndios ou explosões quando entram em contato com calor, chamas ou faíscas. Por isso, em situações como essa, uma das primeiras medidas é isolar a área e eliminar qualquer fonte que possa provocar fogo.
Segundo a tenente Raquel, do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o vazamento ocorreu após uma reação química em um dos tanques que armazenava o produto.
“Pela análise, que é um tambor, a quantidade é muito grande e aí geralmente os gases se movem. Ele acabou ocupando espaço e teve que sair pela válvula de segurança. Ele saiu pela válvula de segurança, está sendo resfriado e a ocorrência está sob controle”, explicou.
A ficha de segurança também informa que exposições repetidas ou prolongadas podem causar danos ao sistema nervoso central. O documento ainda classifica o produto como suspeito de provocar efeitos sobre a fertilidade ou o desenvolvimento do feto em situações de exposição significativa por inalação ou ingestão.
Além dos riscos à saúde humana, o estireno representa ameaça ao meio ambiente. A substância é considerada tóxica para organismos aquáticos, motivo pelo qual equipes de emergência devem impedir que o produto alcance bueiros, galerias pluviais, igarapés ou rios.
Defesa Civil orienta população a evitar a região
Após o vazamento, a Defesa Civil do Amazonas orientou moradores e trabalhadores a evitarem o Distrito Industrial I e as áreas próximas até que a situação seja totalmente normalizada.
O órgão recomenda que pessoas com sintomas como irritação nos olhos ou na pele, tontura, náusea ou dificuldade para respirar procurem imediatamente a unidade de saúde mais próxima.
Segundo a Defesa Civil, a população deve:
- Permanecer em local aberto e bem ventilado;
- Manter portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar;
- Desligar aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação;
- Quem estiver na área afetada ou em suas proximidades deve afastar-se imediatamente do local do vazamento, deslocando-se para uma área segura, em outra região da cidade;
- Evitar transitar pelo Distrito Industrial I e áreas próximas até nova orientação.
A Defesa Civil informou que segue acompanhando a ocorrência em conjunto com os demais órgãos competentes e manterá a população informada sobre a evolução da situação.
Risco de explosão
Questionada sobre o risco de explosão, a tenente Raquel explicou que ocorrências envolvendo produtos químicos sempre exigem atenção, mas ressaltou que, neste caso, os protocolos de segurança impediram que a situação evoluísse.
“Todos os produtos e gases relacionados a emergências químicas podem evoluir para algo maior, uma ocorrência de grande vulto. Aqui não é o caso, porque foi colocado o protocolo em prática, o Corpo de Bombeiros chegou a tempo para apoiar essa logística e a ocorrência está sob controle”, afirmou.
Impactos ambientais
Segundo o engenheiro ambiental e professor pesquisador Alan dos Santos Ferreira, os impactos de um vazamento químico variam conforme a quantidade de gás liberado, o tempo de exposição e as condições do ambiente. Entre os principais efeitos estão a contaminação do ar, a degradação da qualidade atmosférica e possíveis danos à fauna e à flora, especialmente se a nuvem de gás alcançar áreas de vegetação ou corpos d’água.
“Os impactos dependem da quantidade de gás liberado, da quantidade e do tempo de exposição. Em geral, um vazamento pode causar contaminação do ar e degradação da qualidade atmosférica; riscos à fauna e à flora, principalmente se a nuvem de gás atingir áreas vegetadas ou corpos d’água; emissão de compostos orgânicos voláteis (COVs), que contribuem para a formação de ozônio troposférico e agravam a poluição do ar”, explica.
Mesmo após o vazamento ser controlado, os cuidados não terminam. Conforme o especialista, o encerramento da ocorrência elimina a fonte do problema, mas não significa, necessariamente, o fim dos impactos ambientais.
“É fundamental manter o monitoramento da qualidade do ar, avaliar se houve resíduos depositados no solo, inspecionar sistemas de drenagem e corpos hídricos próximos e acompanhar a saúde dos trabalhadores que ficaram expostos. Dependendo da substância envolvida, alguns efeitos podem persistir por determinado período”, afirma.
Primeiras medidas em caso de vazamento
Alan explica que, em situações como a registrada no Distrito Industrial, as primeiras ações são decisivas para reduzir os riscos.
“É preciso isolar imediatamente a área, evacuar os trabalhadores, identificar qual produto químico está envolvido, eliminar possíveis fontes de ignição quando houver risco de explosão, acionar o plano de emergência da empresa e os órgãos competentes, como o Corpo de Bombeiros, além de monitorar continuamente a concentração do gás antes de liberar o acesso ao local”, destaca.
Segundo ele, essas medidas ajudam a proteger os trabalhadores, a população do entorno e o meio ambiente.
A tenente Raquel explicou que esse também é o protocolo adotado pelo Corpo de Bombeiros em ocorrências envolvendo produtos químicos.
“Quando acontece esse tipo de ocorrência, a primeira coisa é isolar o local, retirar todo mundo e solicitar ajuda pelo 193. Quando o Corpo de Bombeiros chega, ele identifica qual é o produto, regula o isolamento e faz o controle da situação. Então esse aí é o nosso procedimento do Corpo de Bombeiros.”
Quais são os sintomas de exposição?
Após o incidente, trabalhadores relataram falta de ar e mal-estar. Para o engenheiro ambiental, esses sintomas podem indicar uma exposição aguda a gases irritantes ou tóxicos.
“Dependendo do agente químico, podem ocorrer irritação das vias respiratórias, diminuição da oxigenação, tontura, náuseas, dor de cabeça e irritação nos olhos e nas mucosas. Em concentrações mais elevadas, pode haver comprometimento respiratório mais grave. Por isso, qualquer pessoa com sintomas deve ser retirada imediatamente da área e encaminhada para avaliação médica”, orienta.
A tenente Raquel informou que, até o momento da ocorrência, o Corpo de Bombeiros não havia realizado atendimento a vítimas, mas orientou que moradores e trabalhadores da região procurem atendimento médico caso apresentem sintomas.
“Não teve nenhum tipo de ocorrência que precisasse deslocar pessoas que pudessem passar mal. Mas o que nós temos a dizer é que a população fique calma, principalmente aqui aos arredores. Se alguém sentir dor de cabeça, tontura ou vômito, por favor, procure um posto médico. Houve um vazamento e precisamos estar atentos aos sinais e sintomas da população que esteja próxima da área”, orientou.
Segurança ambiental evita acidentes
Para Alan, episódios como o ocorrido reforçam a importância da segurança ambiental dentro das indústrias.
“A segurança ambiental e a segurança do trabalho são indissociáveis. Investimentos em manutenção preventiva, monitoramento de equipamentos, treinamento de equipes e planos de resposta a emergências são fundamentais para reduzir riscos”, afirma.
O especialista ressalta que uma gestão ambiental eficiente não apenas protege os trabalhadores, mas também evita danos ao meio ambiente, reduz os impactos para a comunidade do entorno, garante maior continuidade das operações industriais e fortalece a confiança da sociedade na atividade produtiva.
“Como engenheiro ambiental, destaco que eventos como este evidenciam a necessidade de uma cultura permanente de prevenção, na qual a identificação precoce de riscos e a resposta rápida são os principais instrumentos para minimizar consequências ambientais, sociais e econômicas”, conclui.
Innova Petroquímica afirma que situação foi controlada
Em nota, a Innova Petroquímica, fabricante de monômero de estireno, resinas termoplásticas e transformados plásticos, informou que um dos tanques de monômero de estireno da Unidade IV, em Manaus, sofreu uma reação química na tarde desta quarta-feira (15).
Segundo a empresa, não houve vítimas de qualquer natureza e a intercorrência foi controlada. A companhia acrescentou que a Brigada de Incêndio permanece no monitoramento da unidade.


