Ação policial é um desdobramento da ofensiva que resultou em mais de 120 mortes em outubro e é investigada pelo STF.

Pelo menos duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas durante uma nova fase da Operação Contenção, deflagrada na manhã desta quarta-feira (19) na Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A ação, que é investigada no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas no Supremo Tribunal Federal (STF), é um desdobramento da ofensiva policial de outubro que resultou em mais de 120 mortes nos complexos do Alemão e da Penha.

De acordo com um balanço parcial divulgado pela Polícia Civil, oito pessoas foram presas. As forças de segurança também anunciaram a apreensão de dois fuzis, uma pistola e uma grande quantidade de drogas que foi encontrada dentro de uma sala da Escola Municipal Joaquim Edson de Camargo. A unidade de ensino estava fechada no momento.
Em nota, a corporação afirmou que o fato demonstra a prática recorrente da organização criminosa de utilizar escolas para ludibriar a ação das forças de segurança. A Secretaria Municipal de Educação não se pronunciou sobre o caso.
A operação, que conta com a integração das polícias Civil e Militar sob o comando do governador Cláudio Castro (PL), tem como alvo, desta vez, um suposto braço financeiro do Comando Vermelho (CV) especializado em roubos e desmanches de veículos.

Segundo as investigações, a região é uma base central usada pela facção em sua disputa territorial contra a milícia e o Terceiro Comando Puro (TCP) na Zona Oeste.
“Estamos atuando de forma integrada para enfraquecer a estrutura desta organização criminosa que insiste em desafiar o Estado”, disse o coronel Marcelo de Menezes Nogueira, secretário estadual de Polícia Militar.
Pelo menos 16 escolas suspenderam as atividades e mais de 30 linhas de ônibus tiveram seus itinerários alterados. Os policiais também removeram aproximadamente 14 toneladas de barricadas erguidas pelo tráfico para impedir o acesso.

A ação desta quarta-feira segue uma investida realizada na última terça-feira (18), que prendeu 16 pessoas, entre elas Cosme Rogério Ferreira Dias, apontado pela polícia como o “mentor das barricadas” do Comando Vermelho.
Investigado por financiar a construção dos obstáculos usados para bloquear vias em comunidades dominadas pelo crime, Cosme era dono de empresas de reciclagem suspeitas de lavar dinheiro do crime.
De acordo com o delegado Felipe Curi, secretário de Polícia Civil, essa fase da operação representa um golpe direto na espinha estrutural e econômica do Comando Vermelho.

As investigações da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) identificaram uma movimentação financeira superior a R$ 200 milhões por parte do grupo, valor considerado incompatível com a atividade formal dos investigados.
“Conseguimos identificar e prender as principais lideranças das quadrilhas que forneciam materiais para construção de barricadas, exploravam ferros-velhos e lavavam dinheiro para a facção criminosa”, afirmou Curi.
O esquema, segundo a polícia, funcionava por meio de ferros-velhos clandestinos que receptavam cobre e outros metais roubados. Esses locais serviam como base de apoio, fornecendo insumos para as barricadas e ocultando patrimônio.
A operação determinou a interdição de oito desses estabelecimentos e o bloqueio de R$ 217 milhões em valores vinculados ao grupo criminoso

