Daniella Marques integrou equipe de Paulo Guedes durante ofensiva que colocou em risco a competitividade da Zona Franca de Manau

A escolha da economista Daniella Marques para integrar a equipe responsável pelo plano econômico do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) reacende um alerta em setores políticos e empresariais do Amazonas.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (15) pelo próprio Flávio Bolsonaro. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Bolsonaro, Daniella é uma das figuras mais próximas do ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Ela participou diretamente da formulação de medidas econômicas que provocaram forte reação da bancada amazonense e das entidades ligadas à Zona Franca de Manaus (ZFM). Isso foi no início de 2022.
Para o Amazonas, o histórico da economista não passa despercebido.
Durante o governo Bolsonaro, Daniella Marques foi considerada uma das principais auxiliares de Paulo Guedes justamente no período em que o Ministério da Economia patrocinou sucessivos cortes lineares do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), medida apontada por empresários, parlamentares e especialistas como uma ameaça ao diferencial competitivo da ZFM.
A redução do IPI atingia o principal mecanismo de proteção da indústria instalada em Manaus. Na prática, diminuía a vantagem tributária que sustenta o modelo econômico da região.
Naquele período, a reação foi imediata. A bancada do Amazonas mobilizou ações judiciais, entidades empresariais pressionaram Brasília e o tema chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A preocupação aumenta porque Daniella não era uma observadora externa do processo. Ela fazia parte do núcleo decisório da equipe econômica que defendia as mudanças.

