Ministro do STF afirma que influenciadores digitais “desacreditam a mídia tradicional” e critica atuação das big techs

Nesta segunda-feira (24/8), durante cerimônia realizada no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes criticou influenciadores digitais e disse que eles “desacreditam a mídia tradicional”.
“Hoje, o influencer, que ninguém nunca ouviu falar, o pessoal não tem a mínima ideia do que tá falando, fala da Guerra na Ucrânia até a derrota lamentável do Corinthians para o Coritiba ontem. Sabe comentar tudo. Esse influencer tem mais audiência do que o Jornal Nacional, do que todos telejornais. Isso foi trabalhado para desacreditar. Quantas pessoas vocês conhecem que não acreditam mais na mídia tradicional? E que seguem como se fosse uma religião fanática tudo o que a bolha passa como notícia. Lavagem cerebral”, disse o ministro.
Críticas às big techs
Moraes também criticou as big techs, as grandes empresas de tecnologia, que, na sua visão, tratam “eleitores como consumidores”. O ministro declarou:
“Fomos ingênuos ao acreditar que as big techs eram neutras. Elas não precisam ser, mas não deveriam se apresentar como neutras. Essas big techs usaram os mesmos algoritmos, a mesma estratégia para explorar os recalques dessas pessoas [que adotam o discurso da extrema direita contra programas sociais do governo]. [Essas pessoas] achavam que foram prejudicadas porque os demais [mais pobres] saíram da fome. Só que não são só algumas autoridades que pensam isso, são várias pessoas. E os algoritmos sabem disso, e exploram isso”.
Debate sobre volta do diploma de jornalismo
A fala do ministro ocorre em momento no qual o STF tenta voltar a discutir a obrigatoriedade de diploma de jornalismo para o exercício da profissão. A exigência foi derrubada pelo STF em 2009.
Na semana passada, tanto Moraes quanto o ministro Flávio Dino deram declarações a favor da volta da obrigatoriedade do diploma, frente ao crescimento das redes sociais. Moraes chegou a afirmar:
“Está na hora de refletirmos sobre a questão do diploma de jornalismo. […] Hoje, com as redes sociais, qualquer pessoa acorda e diz: ‘A partir de hoje, eu sou um jornalista’ e começa, no seu blog, a ofender a honra de inúmeras pessoas e se escudar na liberdade de imprensa e, claramente, nós não podemos normalizar isso e tratar essas pessoas como a imprensa séria, o jornalismo sério”.


