Criminoso de 32 anos se passava por autoridade e aplicava injeções com medicamentos roubados de hospital

A Polícia Civil do Amazonas prendeu um homem de 32 anos que utilizava o jogo eletrônico “Free Fire” para aliciar, dopar e abusar sexualmente de adolescentes em Coari, município a 363 quilômetros de Manaus. Durante coletiva realizada nesta terça-feira (1º), investigadores revelaram detalhes chocantes dos crimes, incluindo a descoberta de que o suspeito aplicava substâncias sedativas em vítimas através de injeções, alegando serem “vacinas contra gripe”.
De acordo com o delegado José Barradas, que coordenou as investigações, o criminoso, que já responde a mais de 10 processos por estelionato e chegou a se passar por juiz e médico, mantinha um esquema meticuloso para atrair adolescentes através do popular jogo online.
Homem aplicava medicamentos roubados em adolescentes
“As investigações apontaram que o autor conhecia as vítimas através do Free Fire e as convidava para jogar em sua residência”, explicou Barradas. “Lá, ele aplicava sedativos poderosos através de injeções, alegando serem vacinas comuns.”
Durante busca na casa do acusado no bairro Urucu, no último domingo (28), a polícia apreendeu diversos medicamentos controlados, seringas e receitas médicas de uso controlado. As investigações revelaram que um técnico de enfermagem que trabalhava no hospital local supostamente fornecia os medicamentos ao criminoso.
“Parte desses medicamentos é do hospital de Coari”, confirmou o delegado. “Já identificamos o profissional de saúde e apuramos sua participação no esquema.”
Mãe desconfiou ao notar mudança no filho

O caso veio à tona quando a mãe de um adolescente de 14 anos notou que o filho passava por sonolência excessiva e apresentava lesões nas partes íntimas. A genitora também desconfiou ao perceber que as mensagens trocadas com o filho estavam com português mais correto do que o habitual.
“O investigado se passava pelo menor respondendo as mensagens”, revelou Barradas. “Quando a mãe mandava mensagem à noite, era ele quem respondia, imitando o adolescente.”
A vítima foi encaminhada ao Conselho Tutelar e posteriormente à delegacia, onde exames de corpo de delito confirmaram o estupro de vulnerável e múltiplas perfurações por agulhas no corpo do adolescente.
Alerta aos pais
As investigações indicam que pode haver mais vítimas. “Já temos informações sobre outros menores abusados, mas muitas famílias temem a exposição”, disse Barradas. A polícia apreendeu celulares e um DVR com câmeras de segurança que podem conter evidências de outros crimes.
A polícia orienta que famílias instalem controles parentais e monitorem as atividades online dos filhos. O acusado responde por estupro de vulnerável e pode enfrentar novas acusações conforme as investigações avançam.

