Intervenções importantes foram realizadas nos últimos anos, mas novas ações são necessárias em áreas de maior congestionamento na cidade

Manaus precisa de investimentos em obras viárias para avançar em mobilidade urbana e desafogar o trânsito, hoje caótico na capital amazonense. A frota ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos, o equivalente a quase metade da população, concentrando quase 80% de todos os automóveis registrados no estado, segundo dados do Departamento de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). A proporção atual é de aproximadamente 2,2 habitantes por veículo.
Nos últimos anos, o Governo do Amazonas investiu aproximadamente R$ 713,6 milhões, com obras realizadas tanto por meio de convênios com a Prefeitura de Manaus quanto por execução direta do estado. A maioria dos recursos foi por meio da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), na gestão do ex-secretário Marcellus Campêlo, que se desincompatibilizou dos cargos em março deste ano para colocar o nome à disposição do União Brasil, como pré-candidato a deputado estadual.
Marcellus Campêlo destaca que obras do estado, como a ligação viária entre as avenidas Silves e Maués, Rapidão Rodoanel, complexo viário da avenida das Torres, Viaduto Rei Pelé, requalificação viária da avenida Efigênio Salles, além do recapeamento asfáltico de centenas de ruas, contribuíram para dar mais fluidez e segurança no trânsito. Os investimentos, prossegue ele, precisam ter continuidade e avançar ainda mais, para resolver os gargalos que ainda existem em diversas áreas da cidade.

“Manaus tem crescido bastante nos últimos anos e a frota de veículos aumenta a cada mês. Só em 2025 foram mais de 76 mil novos veículos emplacados. É como se uma cidade inteira estivesse sendo incorporada ao trânsito todos os anos. Mas Manaus não possui infraestrutura viária capaz de absorver essa demanda”, afirma.
É preciso, diz ele, investir na construção de novos complexos viários, na implantação de corredores exclusivos para os ônibus e implantação de novas alternativas de transporte coletivo. “É necessário planejar o futuro, preparar a cidade para os próximos 20 anos”, observa.
Resultados alcançados pelo estado

O Rapidão Rodoanel Metropolitano de Manaus é a maior obra de mobilidade urbana integrada do Amazonas, com 37,8 km de extensão. Projetado em três etapas, o sistema construído pelo estado interliga as zonas leste, norte, oeste e sul da capital, permitindo viagens entre essas áreas da cidade sem semáforos e reduzindo o tempo de deslocamento para cerca de 35 minutos. O investimento total foi de R$ 210 milhões.
Integrado ao Rapidão, a ligação viária entre as avenidas Silves e Maués, na zona sul, inaugurada em abril de 2025, otimizou o fluxo de veículos entre o Distrito Industrial e o Centro de Manaus, integrando um conjunto de obras que abrange mais de 40 quilômetros de vias na cidade. Realizada pela UGPE, por meio do Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), a obra recebeu investimentos de R$ 113 milhões, que abrangeram implantação de sistema de esgotamento sanitário, drenagem urbana, pavimentação das vias, calçadas, acessibilidade, paisagismo e pontos de ônibus.
De acordo com Marcellus Campêlo, a intervenção trouxe impactos positivos para a logística urbana, com a redução no tempo de deslocamento de caminhões e veículos de carga entre o Distrito Industrial e o Porto da Manaus Moderna. “Essa melhoria contribui para a competitividade do setor industrial e ajudou a desafogar importantes corredores viários, como as avenidas Rodrigo Otávio e André Araújo”, relacionou.
Com investimento de R$ 51,2 milhões via convênio com o município, o complexo viário Prefeito José Fernandes, entre a avenida Governador José Lindoso (avenida das Torres) e a rua Barão do Rio Branco, na zona centro-sul, foi inaugurado em dezembro de 2023. A obra, resultado de convênio firmado entre UGPE e município, ajudou a desafogar o trânsito e solucionar o problema de congestionamento na área, eliminando os semáforos com a implantação de uma passagem de nível com alças de acesso e adequação viárias do cruzamento.
Já na avenida Efigênio Salles, também na zona centro-sul, as obras de requalificação viária incluíram o alargamento da pista, no trecho entre o viaduto da avenida Mário Ypiranga e a entrada da avenida Via Láctea, no conjunto Morada do Sol, além da construção de uma passarela que eliminou o semáforo em frente ao prédio do Tribunal de Contas (TCE). Os recursos aplicados foram de R$ 8,7 milhões, por meio de convênio entre Estado, via UGPE, e prefeitura.
Na zona leste, recursos de convênio também pela UGPE possibilitaram a construção do Viaduto Viário Rei Pelé, uma importante obra construída no entroncamento da antiga Bola do Produtor, substituindo a rotatória para melhorar o fluxo entre as zonas leste e norte da capital. Entregue em junho de 2025, a intervenção viária teve investimento de R$ 80,2 milhões
Por meio de três convênios para o Programa Asfalta Manaus, que somaram R$ 187,7 milhões da UGPE, ruas de bairros como Cidade de Deus, Santa Etelvina, Novo Israel, Coroado, São José, Jorge Teixeira e Colônia Antônio Aleixo foram beneficiadas com recapeamento asfáltico. De forma direta, o estado aplicou mais R$ 63,1 milhões na recuperação de 186 ruas dos bairros Nova Esperança, Lírio do Vale, Colônia Antônio Aleixo, Novo Israel, Vila da Prata, Colônia Oliveira Machado e comunidades Coliseu I e II, no Jorge Teixeira.

