
A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu seu pior patamar em dois anos, segundo levantamento do PoderData, realizado entre 21 e 23 de março de 2026. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, 25, mostra que 61% dos brasileiros desaprovam o desempenho pessoal do presidente, enquanto 31% aprovam, ampliando para 30 pontos percentuais a diferença entre rejeição e aceitação.
O levantamento também indica que a desaprovação do governo federal chegou a 57%, revelando um cenário de desgaste político a pouco mais de seis meses das eleições presidenciais. A amostra ouviu 2.500 pessoas em 132 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, configurando um retrato estatístico do momento político nacional.
Ao comparar os dados atuais com os de março de 2024, observa-se um crescimento significativo no distanciamento entre aprovação e rejeição. Naquele período, o intervalo era de 11 pontos percentuais, o que evidencia uma ampliação consistente da percepção negativa ao longo dos últimos dois anos.

Desgaste concentrado na imagem presidencial
A pesquisa identifica um descolamento entre a imagem pessoal de Lula e a avaliação do governo, já que a rejeição ao presidente supera em quatro pontos a desaprovação da administração federal. Esse dado indica que o desgaste político está mais associado à figura do chefe do Executivo do que às ações institucionais do governo.
Na comparação direta com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, 42% dos entrevistados afirmam preferir o governo anterior, enquanto 32% consideram a atual gestão melhor. A diferença de 10 pontos percentuais sugere uma alteração no cenário de percepção pública em relação à disputa entre os dois projetos políticos.
A análise regional revela que a desaprovação é mais intensa nas regiões Sul e Centro-Oeste, com 68%, e no Sudeste, onde atinge 63%. Já no Nordeste, o governo apresenta seu melhor desempenho, com 51% de aprovação, embora a avaliação pessoal de Lula na região seja menor, com 40%.
No recorte por renda, o levantamento mostra que a rejeição é mais elevada entre os brasileiros com maior poder aquisitivo. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, a desaprovação chega a 64%, enquanto, na faixa de até dois salários mínimos, a aprovação do governo é de 43%, ainda abaixo dos 51% que desaprovam.
Apesar desses acontecimentos, o levantamento aponta que a trajetória de desaprovação se intensificou a partir do final de 2025. Nos últimos seis meses, a rejeição ao governo cresceu seis pontos percentuais, consolidando o atual cenário de queda na aprovação e aumento da avaliação negativa.


