
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado nesta quinta-feira (27) sobre os índices de violência na Bahia durante entrevista ao Jornal Nacional. A pergunta foi feita pelo jornalista César Tralli, que destacou a presença de cinco cidades baianas entre as dez mais violentas do Brasil e questionou a dificuldade de governos petistas, que administram o estado há cerca de duas décadas, em apresentar uma solução para o problema.
Ao responder, Lula afirmou que considerar a situação uma responsabilidade específica da Bahia seria injusto e argumentou que nenhum governador brasileiro conseguiu resolver completamente os problemas relacionados à segurança pública.
“Você está sendo injusto com a Bahia. Nenhum governador no Brasil, nenhum, conseguiu resolver o problema de segurança pública!”, respondeu o presidente.
Bahia concentra cinco cidades entre as mais violentas
O questionamento de Tralli ocorreu em meio aos dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho deste ano pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com estatísticas referentes a 2025.
Segundo o levantamento, cinco dos dez municípios com as maiores taxas de mortes violentas intencionais do país estão na Bahia: Eunápolis, Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro.
Eunápolis aparece na segunda colocação nacional, com 85,1 mortes violentas por 100 mil habitantes. Porto Seguro ocupa o quarto lugar, com 71,2; Simões Filho aparece em quinto, com 68,1; Jequié está na sexta posição, com 67,4; e Juazeiro completa a lista, na décima colocação, com 55,8.
O ranking considera municípios com mais de 100 mil habitantes e reúne homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, roubos seguidos de morte, feminicídios e mortes decorrentes de intervenção policial.
Estado teve queda nas mortes violentas
Apesar da presença de cinco municípios no ranking nacional, os dados do anuário mostram que a Bahia registrou redução de 9,5% nas mortes violentas intencionais em 2025.
O número caiu de 6.047 ocorrências em 2024 para 5.473 no ano passado. Ainda assim, o estado permaneceu entre os que apresentam os maiores índices de violência letal do país.
A Bahia também aparece em posição de destaque quando o indicador considera mortes decorrentes de intervenções policiais. Segundo os dados divulgados, as polícias baianas foram responsáveis por 1.570 mortes em 2025, o maior número absoluto registrado entre os estados.
Questionamento envolveu governos do PT
Durante a entrevista, Tralli relacionou os números ao histórico político da Bahia, administrada pelo PT há aproximadamente 20 anos, e questionou Lula sobre a dificuldade de coordenar ações consideradas eficientes para combater a violência no estado.
O presidente, por sua vez, rejeitou a ideia de que o problema possa ser atribuído exclusivamente aos governos baianos ou ao Partido dos Trabalhadores.
Lula afirmou que a segurança pública é um desafio nacional e que nenhum governador conseguiu solucionar integralmente a questão.
Violência também atinge outros estados
O levantamento utilizado como referência para o questionamento mostra que o problema não está restrito à Bahia. As dez cidades com as maiores taxas de mortes violentas intencionais em 2025 estão localizadas na região Nordeste.
Além dos cinco municípios baianos, o ranking inclui Maranguape, Maracanaú e Caucaia, no Ceará; Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco; e Santa Rita, na Paraíba.
O Ceará, inclusive, aparece com três municípios entre os dez primeiros colocados, enquanto Pernambuco e Paraíba têm uma cidade cada.
Debate sobre segurança continua
A troca entre Lula e Tralli colocou novamente no centro do debate a responsabilidade dos governos estaduais e federal diante dos índices de criminalidade.
Embora a Bahia tenha apresentado redução nas mortes violentas em 2025, a presença de cinco municípios no ranking nacional mantém o estado como um dos principais focos das discussões sobre segurança pública no país.

