
A proposta de encerrar gradualmente os incentivos tributários da Zona Franca de Manaus (ZFM), defendida pelo deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), provocou manifestações de representantes do Amazonas nesta segunda-feira (21). A ideia foi apresentada pelo parlamentar durante entrevista ao C-Level, programa de negócios da Folha de S.Paulo.
Kataguiri afirmou que uma eventual gestão de Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, teria entre as medidas econômicas a redução dos incentivos concedidos à Zona Franca. Segundo a proposta apresentada, a mudança ocorreria de forma gradual, com estímulo a setores considerados estratégicos para a região, como biotecnologia e biomedicina.
Kataguiri critica modelo
Durante a entrevista, o deputado classificou os incentivos fiscais da Zona Franca como um mecanismo que, na avaliação dele, mantém a ineficiência da indústria.
“É evidente que a nossa indústria ficará para trás se o estado der incentivos para que a ineficiência seja premiada”, afirmou Kataguiri, ao defender a revisão dos benefícios tributários.
A proposta também aparece nas diretrizes econômicas apresentadas por Renan Santos, que prevê uma revisão ampla dos incentivos fiscais e cita especificamente o modelo da Zona Franca de Manaus.
Serafim apresenta dados sobre substituição de importações
O vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa (PSB), contestou as declarações e defendeu a manutenção do modelo econômico.
“Vou responder, com números, no limite da inteligência dele, nós importamos 16 bilhões de dólares em 2025 e transformamos esses 16 bilhões de dólares em componentes, em 40 bilhões de dólares em produto acabado. Portanto, substituímos importações no valor de 24 bilhões de dólares”, afirmou.
Na sequência, Serafim declarou que considera a Zona Franca um modelo de substituição de importações que apresenta resultados econômicos.
“Esse é o modelo Zona Franca, que funciona muito bem, é muito eficaz”, disse.
Entidades também reagiram
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, preferiu não comentar diretamente as declarações de Kataguiri. Ao ser questionado sobre o assunto, respondeu: “Não vale a pena”.
Já o presidente da CUT-AM e do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana, criticou a posição do deputado e afirmou que ele desconhece aspectos da indústria brasileira.
“Esse rapaz aí não sabe nem onde fica o estado do Amazonas pra falar bobagem. Ele é um extrema direita que só fala bobagem. Então o que ele fala não me interessa”, declarou.
Santana também questionou o conhecimento do parlamentar sobre os processos industriais brasileiros e citou a fabricação de veículos elétricos e o combate ao contrabando como temas que, segundo ele, deveriam receber atenção.
Debate sobre o futuro da ZFM
A discussão ocorre em meio ao debate eleitoral sobre os incentivos fiscais e o modelo industrial de Manaus. Dados divulgados pela Suframa nesta segunda-feira mostram que o Polo Industrial de Manaus acumulou faturamento de R$ 142,98 bilhões entre janeiro e julho de 2026, com média mensal de 131.197 empregos diretos no período.
A proposta de mudança defendida por Kataguiri prevê uma transição gradual, enquanto representantes do Amazonas argumentam pela continuidade do modelo e destacam seus resultados econômicos.

