Caila Carim, Vivian Amorim, Leilane Oliveira e Isabelly Aurora receberam, juntas, R$ 3,5 milhões em repasses identificados das estruturas partidárias

As influenciadoras Caila Carim, Vivian Amorim, Leilane Oliveira e Isabelly Aurora receberam juntas R$ 3,5 milhões em repasses identificados das direções partidárias para disputar as eleições de 2026 no Amazonas, mas nenhuma das quatro conquistou mandato somando 16.688 votos ao todo. A relação entre o dinheiro declarado como recebido e a votação obtida chega a R$ 217,41 por voto, considerando as quatro candidaturas analisadas.
A comparação entre arrecadação e votação mostra quanto, em termos matemáticos, cada campanha recebeu para cada voto conquistado, mas não significa que esse valor tenha sido gasto diretamente para obter votos e não estabelece qualquer relação com compra de votos ou prática ilegal.
O levantamento considera os valores de receitas apresentados nas prestações de contas e a votação obtida por cada candidata. O objetivo é apenas mostrar a diferença entre o volume de recursos movimentado pelas campanhas e o resultado eleitoral alcançado.
Caila Carim recebeu R$ 2,25 milhões do MDB
Caila Carim, candidata a deputada federal pelo MDB, recebeu R$ 2,25 milhões da Direção Nacional do partido, conforme o valor identificado na prestação de contas analisada.
Nas urnas, Caila conquistou 1.725 votos e não foi eleita.
Considerando apenas o repasse partidário identificado, a relação matemática entre o valor recebido e a votação foi de aproximadamente R$ 1.304,35 por voto.
Esse cálculo não significa que cada voto tenha custado esse valor. Trata-se apenas da divisão entre o recurso partidário identificado e a quantidade de votos obtida.

Vivian Amorim recebeu R$ 950 mil do União Brasil
Vivian Amorim, candidata a deputada estadual pelo União Brasil, recebeu R$ 950 mil em repasses das direções do partido.
O valor é composto por R$ 628.290 da Direção Nacional do União Brasil e R$ 321.710 da Direção Estadual do União Brasil no Amazonas.
Vivian foi a mais votada entre as quatro candidatas analisadas, com 10.795 votos, mas não conquistou mandato.
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A relação entre os R$ 950 mil recebidos das estruturas partidárias e os votos foi de aproximadamente R$ 88 por voto.
No caso de Vivian, os recursos têm naturezas distintas: parte corresponde ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e parte ao Fundo Partidário. O TSE define o FEFC como fundo público destinado ao financiamento de campanhas eleitorais.
Leilane Oliveira recebeu R$ 250 mil do PSD
Leilane Oliveira, candidata a deputada estadual pelo PSD, teve identificado R$ 250 mil em repasse da Direção Nacional do PSD, de Omar Aziz.
O valor utilizado neste levantamento é somente o recurso identificado como proveniente da direção partidária. Outros valores eventualmente recebidos pela campanha não entram na soma.
Leilane terminou a eleição com 411 votos e não foi eleita.
A relação matemática entre o repasse partidário de R$ 250 mil e os votos foi de aproximadamente R$ 608,27 por voto.
Isabelly Aurora recebeu R$ 50 mil do Avante
Isabelly Aurora, candidata a deputada estadual pelo Avante, recebeu R$ 50 mil da Direção Nacional do partido, valor considerado neste levantamento.
A candidata conquistou 3.757 votos, mas não foi eleita.
A relação entre o repasse partidário identificado e a votação foi de aproximadamente R$ 13,31 por voto.
O que significa o valor por voto?
O chamado “valor por voto” deve ser entendido apenas como uma relação matemática entre arrecadação e votação.
Por exemplo: se uma campanha recebeu R$ 1 milhão e teve 10 mil votos, dividir R$ 1 milhão por 10 mil resulta em R$ 100 por voto. Isso não quer dizer que cada eleitor tenha recebido R$ 100, nem que a campanha tenha gasto esse valor individualmente para conquistar cada voto.
Uma campanha pode utilizar seus recursos em publicidade, produção de conteúdo, pessoal, transporte, estrutura, eventos, materiais gráficos, serviços jurídicos, contabilidade e diversas outras despesas permitidas pela legislação eleitoral.
Portanto, arrecadação não é a mesma coisa que despesa, e despesa também não é sinônimo de compra de votos.
Nenhuma das quatro conquistou mandato
Apesar dos R$ 3,5 milhões em repasses identificados das direções partidárias, nenhuma das quatro candidatas analisadas foi eleita.
Vivian Amorim teve 10.795 votos, Isabelly Aurora ficou com 3.757, Caila Carim obteve 1.725 e Leilane Oliveira teve 411 votos.
O levantamento mostra, portanto, quanto as quatro receberam diretamente das estruturas partidárias e qual foi o resultado eleitoral de cada uma, sem estabelecer qualquer acusação de irregularidade ou relação entre os recursos e eventual compra de votos.

