Nova modalidade permite dividir compras de restaurantes no cartão de crédito, mas especialistas alertam para o impacto dos juros e do endividamento.

O iFood passou a oferecer a opção de parcelar pedidos de restaurantes em até seis vezes no cartão de crédito. A novidade, operada pelo iFood Pago, tem registrado alta adesão entre os consumidores, mas também gerou debates nas redes sociais sobre o aumento do endividamento das famílias brasileiras e o custo dos juros cobrados.
Mais de 1,3 milhão de pedidos foram parcelados
Segundo dados divulgados pela empresa, desde que a funcionalidade foi ampliada para pedidos de restaurantes, em dezembro, mais de 1,3 milhão de compras foram parceladas em apenas dois meses — número superior ao registrado no período anterior.
O parcelamento pode ser feito em duas a seis parcelas, com juros que variam conforme a quantidade de prestações escolhidas.
Juros chegam a 8,36% no parcelamento
As taxas informadas pelo iFood variam de aproximadamente 3,53% para pagamentos em duas vezes até 8,36% para compras divididas em seis parcelas.
Na prática, um pedido de R$ 100 parcelado em seis vezes passa a custar cerca de R$ 108,36 ao consumidor.
Empresa diz que atende hábito de consumo do brasileiro
Em entrevista à CNN Money, a diretora de Pagamentos do iFood Pago, Thais Redondo, afirmou que o parcelamento faz parte da cultura de consumo dos brasileiros e que a ferramenta busca oferecer mais flexibilidade aos clientes.
Segundo ela, a modalidade também beneficia os estabelecimentos parceiros ao estimular o aumento do valor médio das compras.
Modalidade gera debate sobre endividamento
A novidade provocou discussões nas redes sociais, principalmente diante dos altos índices de endividamento no país.
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que 80,9% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida. Entre os endividados, 85% têm débitos relacionados ao cartão de crédito, enquanto 29,7% estão com contas em atraso.
Especialistas em educação financeira costumam orientar que o consumidor avalie cuidadosamente o custo dos juros antes de parcelar despesas de consumo imediato, como refeições, para evitar o comprometimento do orçamento.

