
Dados enviados pelo Ministério da Saúde ao Congresso Nacional apontam que 1.121 indígenas morreram na Terra Indígena Yanomami entre 2023 e 2025, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O número é superior aos 951 óbitos registrados no período equivalente da administração do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As informações colocam novamente a situação sanitária da população Yanomami no centro do debate sobre a atuação do governo federal na região. Os dados foram apresentados ao Legislativo em meio às discussões sobre as condições de saúde e segurança nas comunidades indígenas.
Crise envolve saúde e garimpo ilegal
Segundo as informações apresentadas, os óbitos estão relacionados a diferentes doenças e às condições enfrentadas pelas comunidades, em uma região que também sofre com a presença de atividades ilegais. A Terra Indígena Yanomami passou por uma grave crise sanitária nos últimos anos, marcada por problemas relacionados a doenças, desnutrição e atendimento médico.
O governo federal afirma que adotou operações para combater o garimpo ilegal e reduzir a presença de criminosos no território.
Governo contesta comparação entre períodos
A gestão Lula contestou a comparação direta entre os números registrados nos governos Bolsonaro e Lula. Segundo o governo federal, a análise dos dados precisa considerar as condições da assistência à saúde oferecida em cada período, além de outros fatores que podem influenciar os registros de mortalidade.
Dessa forma, embora os dados apontem 1.121 mortes entre 2023 e 2025, a comparação dos números não representa, por si só, uma avaliação definitiva sobre as causas da mortalidade ou sobre a atuação de cada governo.
Governo afirma ter reduzido garimpo ilegal
Em relação à segurança no território, a União afirma ter conseguido reduzir significativamente a atividade ilegal. Segundo dados apresentados pelo governo, entre março de 2024 e agosto de 2026 houve uma redução de aproximadamente 99% na abertura de novas áreas de garimpo na Terra Indígena Yanomami.
As operações realizadas no período teriam provocado um prejuízo estimado em R$ 768 milhões aos responsáveis pela exploração ilegal.
Fachin discute missão ao território Yanomami
A situação também chamou a atenção do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
O ministro procurou a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares Alves (Republicanos-DF), para discutir a realização de uma missão ao território Yanomami nas próximas semanas.
A proposta é acompanhar presencialmente as condições enfrentadas pelas comunidades e verificar a situação no território.

