
A previsão de mudanças no clima provocadas pelo El Niño levou o governo federal a anunciar um pacote de medidas para enfrentar possíveis impactos em diferentes regiões do país. As ações, que envolvem monitoramento climático, segurança alimentar, combate a incêndios e prevenção de desastres, devem receber investimentos de R$ 1,3 bilhão, segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.
O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, altera os padrões de chuva e temperatura em várias partes do Brasil. Entre os efeitos esperados estão períodos de seca mais intensos no Norte e Nordeste, atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, além do aumento do risco de enchentes na Região Sul.
Entre as medidas anunciadas está a formação de estoques públicos de alimentos, com a compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz. O governo também prevê a aquisição de 350 mil cestas de alimentos destinadas a povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Para a Região Sul, onde há risco de eventos extremos relacionados ao excesso de chuvas, os investimentos serão direcionados à Defesa Civil, atendimento emergencial e ações de recuperação em estruturas como barragens e diques, em parceria com estados e municípios.
Já nas áreas afetadas pela estiagem, principalmente no Norte e Nordeste, o governo informou que haverá ampliação do número de brigadistas federais e compra de equipamentos para prevenção e combate a incêndios florestais. Também estão previstas ações voltadas à segurança hídrica, incluindo obras de abastecimento e armazenamento de água.
Segundo Miriam Belchior, o governo já desenvolve iniciativas para reduzir os impactos das mudanças climáticas. Entre elas, estão a redução do desmatamento, com queda de 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal, além da restauração florestal de 3,4 milhões de hectares.
Outro destaque é a integração do Rio São Francisco, projeto que beneficia cerca de 12 milhões de pessoas nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Além disso, investimentos em adutoras, canais, cisternas, reservatórios e recuperação de barragens estão sendo realizados em estados do Nordeste.
A redução do volume de água nos rios também preocupa o setor energético, já que a menor vazão pode afetar a geração de energia hidrelétrica e aumentar a necessidade de acionamento de termelétricas, que possuem custo mais elevado. Para ampliar a segurança energética, o governo informou que estão sendo aplicados R$ 118 bilhões na diversificação da matriz, com investimentos em energia eólica, solar e expansão das linhas de transmissão.
As medidas fazem parte da estratégia federal para reduzir os impactos econômicos, ambientais e sociais provocados por eventos climáticos extremos associados ao El Niño.

