O principal tipo de golpe foi o pagamento adiantado de um benefício ou bem, que nunca recebeu (5%).

Golpes financeiros atingem 41% dos consumidores brasileiros em 2024, aponta pesquisa da CNDL e SPC Brasil
O avanço dos golpes financeiros tem exigido cada vez mais atenção dos consumidores. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, revelou que 41% dos entrevistados foram vítimas ou sofreram tentativa de fraude em instituições financeiras nos últimos 12 meses — o que representa cerca de 15,5 milhões de brasileiros.
Entre os golpes mais comuns estão o pagamento antecipado por benefícios ou produtos que nunca foram entregues (5%) e a compra de itens anunciados em perfis de redes sociais clonadas de amigos ou conhecidos (4%). Outras fraudes frequentes incluem clonagem de cartões de crédito ou débito (3%), transferências bancárias via PIX feitas para golpistas que se passam por contatos próximos (3%) e movimentações financeiras não autorizadas em contas bancárias (3%).
O presidente da CNDL, José César da Costa, alertou que os golpes estão se tornando cada vez mais sofisticados, com uso até de inteligência artificial para simular a voz ou imagem de pessoas conhecidas. “É fundamental que o consumidor sempre verifique a veracidade da transação antes de realizar qualquer pagamento ou transferência”, reforça.
Segundo o levantamento, após o golpe, 28% das vítimas tentaram negociar com a empresa, instituição ou pessoa envolvida para recuperar o valor perdido. Outros 28% acionaram a administradora do cartão, 18% registraram boletim de ocorrência e 15% procuraram órgãos de defesa do consumidor.
Apesar dos esforços, 38% dos entrevistados não conseguiram recuperar o valor perdido. Por outro lado, 61% obtiveram algum êxito — 30% recuperaram o valor total e 21% parte dele.
Além do prejuízo financeiro, 27% dos consumidores relataram que ficaram com o nome negativado após o golpe, e o mesmo percentual afirmou ter precisado entrar na Justiça. Em 42% dos casos, foi necessário contratar advogado ou empresa especializada para lidar com as consequências da fraude.
Para evitar novos golpes, os consumidores têm adotado medidas preventivas: 64% evitam compartilhar dados pessoais desnecessários, 55% desconfiam de promessas de dinheiro fácil e sempre buscam verificar a origem das informações, e 53% ficam atentos a ligações de números desconhecidos e mensagens suspeitas. Além disso, 51% desconfiam de promoções com preços muito abaixo do mercado.
Costa ainda reforça cuidados básicos: manter senhas seguras, proteger documentos e dispositivos, desconfiar de ofertas vantajosas demais, evitar clicar em links duvidosos e monitorar regularmente o CPF para detectar movimentações suspeitas.
Metodologia da pesquisa
A coleta foi realizada online entre 2 e 10 de janeiro de 2025, com 643 internautas maiores de 18 anos, residentes nas capitais brasileiras. A margem de erro é de 3,86 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.

