Dados do SELVA, da UEA, apontam vários pontos da capital com concentração de partículas acima de 125 µg/m³; calor deve chegar a 35°C.

Manaus amanheceu novamente encoberta por fumaça nesta quinta-feira (24), em mais um dia de qualidade do ar comprometida na capital amazonense. O problema já dura mais de uma semana e os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram níveis classificados como “péssimos” em diferentes pontos da cidade.
No monitoramento do sistema, concentrações acima de 125 µg/m³ de partículas finas (MP2,5) entram na pior faixa da escala. Entre os registros observados estão índices de 147,9, 165,4, 132, 144, 131,7 e 150,2 µg/m³.
A situação ocorre em meio ao período de estiagem e ao aumento dos focos de queimadas no Amazonas. Na quarta-feira (23), a concentração média de MP2,5 em Manaus chegou a 188,5 µg/m³, também classificada como “péssima” pela Prefeitura.
Fumaça permanece sobre Manaus
A presença de fumaça vem sendo registrada na capital há cerca de duas semanas. Na quarta-feira, sensores do SELVA chegaram a apontar 291 µg/m³ de material particulado em Manaus, enquanto outros pontos apresentaram níveis ainda mais elevados.
De acordo com a Prefeitura de Manaus, a fumaça que atinge a cidade é proveniente de áreas de queimadas em diferentes regiões da Amazônia, principalmente de municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do Amazonas.
Dados divulgados pelo Inpe apontam que o Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas entre 1º e 22 de setembro, número 244% maior que o registrado no mesmo período de 2025.
Qualidade do ar chega a níveis críticos
O cenário levou a Prefeitura a colocar Manaus em estado de atenção diante da piora na qualidade do ar. Segundo o município, a capital chegou a registrar, na quarta-feira, a segunda pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras naquele momento.
O SELVA utiliza uma escala em que índices entre 0 e 25 µg/m³ são considerados bons, enquanto concentrações acima de 125 µg/m³ entram na classificação “péssimo”.
A fumaça também tem sido percebida em diferentes zonas de Manaus. Na quarta-feira, sensores registraram picos de 587,9 µg/m³ no Distrito Industrial I e 437,4 µg/m³ no Morro da Liberdade. Parque 10, Compensa e Tarumã também ultrapassaram 200 µg/m³ em determinados momentos.
Calor aumenta sensação de tempo seco
Além da fumaça, Manaus continua enfrentando uma sequência de dias quentes. A capital chegou a registrar 38,6°C na terça-feira (22), maior temperatura registrada na cidade em 2026 até aquele momento.
Para esta quinta-feira (24), a previsão indica máxima em torno de 35°C. O calor, associado ao período de estiagem e à presença de poluentes suspensos na atmosfera, mantém a sensação de tempo seco na cidade.
A previsão indica possibilidade de mudança nas condições meteorológicas a partir de sexta-feira (25), com aumento da possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas em Manaus.
Prefeitura orienta cuidados com a fumaça
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que a população reduza a exposição à fumaça, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Durante os períodos de pior qualidade do ar, a recomendação é evitar exercícios físicos ao ar livre, manter-se hidratado e proteger olhos e nariz. Quando a exposição for inevitável, máscaras como a N95 podem ajudar a reduzir a inalação de partículas.
Tosse, irritação na garganta, ardência nos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito e falta de ar estão entre os sinais de alerta. Em situações de emergência, a orientação é acionar o Samu pelo telefone 192.

