
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, afirmou que há indícios de que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, atuou como “mandante” de um suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares. Na mesma decisão, Dino determinou a indisponibilidade de bens de Valdemar até o limite de R$ 119,2 milhões, valor correspondente ao possível prejuízo investigado pela Polícia Federal.
Segundo o ministro, as medidas buscam preservar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas ao longo da investigação.
Por que Valdemar é investigado
A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, conduzida pela Polícia Federal. De acordo com a PF, o presidente do PL teria exercido influência sobre a destinação de recursos de emendas parlamentares, mesmo sem ocupar mandato eletivo.
Na decisão, Flávio Dino afirma que diálogos, planilhas e outros elementos reunidos pela investigação apontam que Valdemar teria coordenado o redirecionamento das verbas públicas.
“Valdemar Costa Neto, sem exercer mandato parlamentar, parece ter atuado, até muito recentemente, como mandante do (re)direcionamento de valores públicos”, escreveu o ministro.
Qual seria o papel dos servidores da Câmara
Segundo a Polícia Federal, três servidores da Câmara dos Deputados teriam atuado como intermediários na operacionalização das emendas.
Os investigados citados na decisão são:
Mariângela Fialek;
Garigham Amarante Pinto;
Nara Brum.
Conforme Dino, os elementos reunidos indicam que eles teriam funcionado como “longa manus” de Valdemar Costa Neto, auxiliando na execução do suposto esquema.
Quanto dinheiro está sob investigação
A Polícia Federal apura o direcionamento de 21 emendas parlamentares, que somam aproximadamente R$ 119,2 milhões em recursos públicos.
Segundo a decisão, ainda será necessário esclarecer:
Se houve apropriação indevida dos recursos por servidores públicos;
Se terceiros também foram beneficiados;
Qual foi o destino final das verbas;
Se empresários ou municípios participaram das irregularidades.
O que acontece a partir de agora
A decisão mantém o bloqueio patrimonial e autoriza o prosseguimento das investigações. O STF busca reunir mais provas para esclarecer o funcionamento do suposto esquema e identificar todos os beneficiários dos recursos públicos.
Até o momento, a decisão trata de uma investigação em andamento. O mérito das acusações ainda será analisado durante o curso do processo, garantindo aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Contexto
A investigação integra uma série de apurações sobre a destinação de emendas parlamentares e o uso de recursos públicos. Segundo a Polícia Federal, o objetivo é identificar se houve direcionamento irregular das verbas e eventual prejuízo ao erário.

