
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, foi contestado pela jornalista Renata Lo Prete durante uma sabatina exibida pela TV Globo na noite desta sexta-feira (16), após citar relações comerciais entre a emissora e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para defender o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Durante a entrevista, Flávio mencionou contratos de publicidade ligados ao programa de Luciano Huck e a saída de um executivo do Grupo Globo após a divulgação de mensagens trocadas com Vorcaro. O senador argumentou que relações comerciais com o empresário não seriam, por si só, irregulares.
Senador cita patrocínios e demissão de executivo
Ao abordar os negócios da emissora com empresas ligadas ao ex-banqueiro, Flávio afirmou que o programa de Luciano Huck teria recebido valores elevados para veicular publicidade de uma instituição financeira associada ao conglomerado de Vorcaro.
“E o que tem de errado nisso? Nada”, declarou o senador ao defender a legitimidade dos contratos comerciais.
Ele também mencionou o desligamento de Frederic Kachar, ex-diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo, anunciado na quinta-feira (15). Segundo Flávio, o executivo teria promovido eventos financiados por Vorcaro, incluindo iniciativas relacionadas ao jornal Valor Econômico em Nova York.
O parlamentar afirmou que não considerava necessariamente irregular a relação comercial, mas reconheceu que, segundo as informações citadas por ele, o executivo teria descumprido regras éticas internas da empresa.
Jornalista diferencia publicidade de financiamento de filme
Renata Lo Prete interrompeu a argumentação para destacar que contratos publicitários e o financiamento de uma produção cinematográfica são operações diferentes.
A jornalista explicou que a compra de espaços comerciais e os patrocínios exibidos na programação seguem regras de transparência e condições estabelecidas pelo mercado. Ela também ressaltou que esses contratos não determinam a linha editorial nem interferem na independência do jornalismo da emissora.
A apresentadora voltou a tratar do caso de Kachar e lembrou a sequência dos acontecimentos: as mensagens envolvendo o executivo e Vorcaro vieram a público na quarta-feira (14), enquanto o desligamento foi anunciado no dia seguinte.
Valores citados por Flávio não foram confirmados
Durante a sabatina, o senador mencionou cifras de R$ 100 milhões e R$ 160 milhões relacionadas aos negócios da Globo com Vorcaro. Entretanto, segundo a reportagem do Terra, o valor de R$ 160 milhões não estava comprovado.
Mensagens mencionadas na publicação indicavam valores de R$ 83 milhões para a Globo e R$ 26 milhões para Luciano Huck em acordos comerciais com o Will Bank, instituição que fazia parte do conglomerado do Banco Master.
Flávio voltou a negar irregularidades nos repasses atribuídos a Vorcaro para a produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, e sustentou que os recursos eram lícitos. A discussão ocorreu em meio às investigações sobre o financiamento da obra.

