Felca expõe como algoritmos podem favorecer conteúdos que sexualizam menores; reportagem do Fantástico mostra repercussão e reação política.

Um vídeo publicado pelo influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, mobiliza milhões de brasileiros e reacende o debate sobre a exposição infantil nas redes sociais.
Felca mora em São Paulo e mantém um canal em que mistura humor com reflexões sobre saúde mental. No dia 6 de agosto, ele publicou o vídeo “Adultização”, no qual denuncia como conteúdos com crianças podem ser explorados de forma criminosa na internet.
Ele mostra que, em poucos cliques, é possível chegar a material ligado à pedofilia, favorecido pela lógica de recomendação dos algoritmos.
O influenciador já recebeu da Associação Brasileira de Psiquiatria o título de parceiro da saúde mental. No programa, explicou que a motivação veio de vivências pessoais.
“Eu conhecia pessoas do meu convívio social que foram abusadas sexualmente na infância. Eu pensava em como consolar aquela pessoa e comecei a estudar sobre o assunto”, disse.
Apesar do apoio e das mensagens de agradecimento que recebe de vítimas e famílias, Felca relata ter sofrido ameaças de morte após a publicação. A Polícia Civil de São Paulo investiga os ataques.
“Eu mantenho a cautela, mas eu tô fazendo algo que é mais importante do que eu. Desculpa aí, não vou conseguir parar”, revelou o influenciador.
A repercussão foi imediata. Em menos de 24 horas, o vídeo passou de 4 milhões de visualizações. Hoje, já são mais de 44 milhões de acessos. Entre os impactados está Cristiane, professora e mãe, que reconhece ter revisto a própria relação com a exposição do filho na internet.
“Até porque criança dá engajamento. Só que eu não tinha ideia dessa sujeirada toda e eu me senti muito mal como mãe. Aí na hora eu arquivei tudo, tirei, não farei mais porque preciso proteger, é minha função proteger meu filho”, afirmou.
O termo “adultização” usado por Felca resume, segundo ele, a prática de privar crianças do livre brincar e inseri-las em contextos adultos. Especialistas ouvidos pelo Fantástico alertam que isso compromete o desenvolvimento emocional e pode gerar impactos duradouros na saúde mental.
O vídeo também apresenta o conceito do “algoritmo P”, apelido dado pelo influenciador para explicar como sistemas de recomendação favorecem conteúdos que sexualizam menores. A Meta, dona do Instagram, afirma que remove esse tipo de material assim que identificado e que adota medidas para evitar que adultos suspeitos encontrem perfis de crianças.
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Infográfico – Entenda o debate sobre ‘adultização’ que viralizou nas redes envolvendo Felca e Hytalo. — Foto: Arte/g1

