
Um núcleo ligado ao Comando Vermelho (CV) movimentou mais de R$ 35 milhões em menos de um ano por meio de uma estrutura que, segundo as investigações da Operação La Máquina, utilizava empresas de fachada para movimentar e dar aparência legal a recursos provenientes do tráfico de drogas.
A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (13) pelo Gaeco/MPAM e pela Polícia Federal e atingiu uma organização criminosa que, segundo a investigação, utilizava a estrutura da Amazônia para transportar entorpecentes para outras regiões do país.
Em Manaus, a apuração identificou investimentos em centros comerciais e outros empreendimentos que poderiam ser utilizados para conferir aparência lícita ao dinheiro obtido com as atividades criminosas.
Dinheiro teria sido usado para comprar imóveis e veículos
Segundo os investigadores, os recursos movimentados pelo grupo teriam sido empregados na aquisição de imóveis, veículos de alto padrão, embarcações e empreendimentos comerciais.
A movimentação financeira chamou a atenção das autoridades por apresentar valores considerados incompatíveis com as atividades econômicas oficialmente declaradas pelos investigados.
Além da utilização de empresas, a investigação identificou movimentações por meio de terceiros e outras estratégias que, segundo os órgãos responsáveis, poderiam dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Dois centros comerciais são alvo de sequestro
As medidas determinadas pela Justiça atingiram diretamente o patrimônio atribuído ao grupo.
Em Manaus, dois centros comerciais ligados aos investigados foram sequestrados como parte das ações para impedir que o patrimônio continue sendo utilizado ou incorporado à estrutura financeira da organização.
Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.
A Justiça autorizou ainda o sequestro de 31 veículos, avaliados em cerca de R$ 3 milhões.
Aviões eram usados para transportar drogas
Além do braço financeiro, a investigação identificou uma estrutura logística utilizada para o transporte de drogas.
O grupo teria recorrido a aviões de pequeno porte, pilotos, pistas clandestinas, locais de abastecimento e estruturas para manutenção das aeronaves.
As drogas seriam transportadas por vias aérea, fluvial e terrestre, saindo da região amazônica com destino a outros estados brasileiros.
Duas pistas clandestinas localizadas em Tefé e Presidente Figueiredo foram identificadas como pontos de apoio da organização. A Justiça determinou a destruição das estruturas.
Operação cumpriu 43 mandados
Ao todo, a Operação La Máquina cumpriu 43 mandados judiciais, sendo 13 de prisão preventiva, quatro medidas cautelares diversas da prisão e 26 mandados de busca e apreensão.
As ações ocorreram no Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina, com participação de mais de 100 policiais federais e integrantes do Gaeco.
Os investigados poderão responder, conforme a participação individual, por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais.
Investigação mira patrimônio construído com dinheiro do tráfico
Com o bloqueio de recursos, sequestro de veículos e centros comerciais e destruição das pistas clandestinas, a operação busca atingir não apenas os integrantes da organização, mas também a estrutura financeira e logística que sustentaria as atividades criminosas.

