
Uma pesquisa nacional realizada pela Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 12, indica que o escândalo envolvendo o Banco Master e a prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro, já é amplamente conhecido pela população brasileira e tem repercussões na percepção pública sobre instituições políticas e do sistema de Justiça. Segundo o levantamento, 65% dos entrevistados disseram já saber da prisão, enquanto 33% afirmaram não ter conhecimento do caso.
Dentro desse contexto, parte da população associa o episódio a um desgaste institucional mais amplo. Quando questionados sobre quem teve a imagem mais afetada negativamente pelo escândalo, 13% dos entrevistados citaram o STF ou o Judiciário, enquanto 40% afirmaram que todas as instituições foram prejudicadas. Outros 11% apontaram o governo anterior de Jair Bolsonaro, 10% o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 5% o Banco Central e 3% o Congresso Nacional.
Os dados fazem parte da 23ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, realizada entre os dias 6 e 9 de março de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com 95% de nível de confiança, segundo a metodologia descrita no relatório técnico do levantamento.

Ministros
No escândalo do Banco Master, os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aparecem em momentos distintos do andamento das investigações. Toffoli foi inicialmente o relator do inquérito no STF, mas decidiu deixar o caso após a Polícia Federal informar que mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco, mencionavam o ministro.
Esse fato gerou questionamentos públicos sobre possível conflito de interesse. Após sua saída, o processo foi redistribuído por sorteio ao ministro André Mendonça, que passou a conduzir a investigação e autorizou a retomada de diligências da PF.
Já Alexandre de Moraes não é relator do processo, mas seu nome passou a circular no debate público e político em meio às repercussões institucionais do caso dentro do STF. Isso porque a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, aparece no tema porque seu escritório de advocacia firmou um contrato de consultoria jurídica supostamente no valor de R$ 129 milhões com o Banco Master entre 2024 e 2025.
Confiança no STF
No cenário mais amplo de avaliação institucional, o levantamento também mediu o nível de confiança da população no Supremo Tribunal Federal. De acordo com os resultados, 49% dos entrevistados afirmaram não confiar no STF, enquanto 43% disseram confiar na Corte. Outros 8% não souberam ou não responderam.
A pesquisa apresenta ainda recortes regionais e socioeconômicos. Entre os entrevistados da região Centro-Oeste e Norte, por exemplo, 64% afirmaram não confiar no STF, enquanto 33% disseram confiar. No Nordeste, os números aparecem mais equilibrados, com 52% declarando confiança e 38% afirmando não confiar na instituição.
Quando analisada por renda familiar, a desconfiança também aparece de forma expressiva. Entre os entrevistados com renda de até dois salários mínimos, 55% disseram não confiar no STF, enquanto 41% afirmaram confiar. Já entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, 52% declararam confiança, contra 42% que disseram não confiar.
O levantamento também investigou como o escândalo do Banco Master pode influenciar decisões eleitorais. Segundo os resultados, 38% dos entrevistados disseram que evitariam votar em qualquer candidato envolvido no caso. Outros 29% afirmaram que levariam o tema em consideração junto a outras questões, enquanto 20% disseram que o episódio não influenciaria sua escolha eleitoral.
A pesquisa inclui ainda perguntas sobre a percepção geral do funcionamento da Justiça no país. Em uma delas, 72% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que o STF tem “poder demais”, enquanto 18% disseram discordar e 8% afirmaram não concordar nem discordar da declaração.
O levantamento também mostra que o tema pode aparecer no debate político ligado às eleições. Entre os entrevistados, parte concorda com a ideia de que “é importante votar em um candidato ao Senado comprometido com o impeachment de ministros do STF”, questão apresentada no questionário para medir percepções sobre o papel da Corte no sistema político brasileiro.
O estudo foi realizado com brasileiros a partir de 16 anos, com entrevistas domiciliares presenciais conduzidas por pesquisadores treinados. A amostra foi estruturada com base em critérios de sexo, idade, escolaridade e renda familiar, com seleção probabilística de municípios e setores censitários em todo o território nacional.


