Cortejo das forças de segurança levou caixão com o corpo de Rodrigo Castanheira até o cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Investigações apontam que amigo de Pedro Turra teria influenciado no crime

Às 15h de ontem, uma tempestade tomava conta do Setor de Clubes Sul, onde, na Igreja Batista Capital, o corpo de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira era velado. A cerimônia, restrita à família e aos amigos, fechou um capítulo do crime que comoveu o país. Em Brasília, pessoas de diferentes religiões oraram pelo jovem. Aos 16 anos, o estudante morreu após ser brutalmente agredido na saída de uma festa em Vicente Pires, em 23 de janeiro.
Quem prestou as últimas condolências ao adolescente na Igreja Batista Capital optou por não falar com a imprensa, que se concentrou na entrada do espaço. De longe, foi possível ver a movimentação de pessoas, muitas com rosas e coroa de flores. Havia, também, um caminhão do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e viaturas e motos da Polícia Militar (PMDF). Juntas, as corporações organizaram um cortejo em homenagem ao jovem, até o Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.
Em um dos momentos mais emocionantes da despedida, já no local do sepultamento, os militares do Corpo de Bombeiros, profissão que o jovem almejava seguir, desceram o caixão branco do caminhão e o entregaram aos familiares. Ali, centenas de pessoas se reuniram para deixar mensagens de saudade e louvores. Naquele instante, o tempo abriu, e os balões brancos foram iluminados pelo sol do fim da tarde. Unidos pela dor e determinados a buscar justiça, todos deram adeus a Rodrigo.
Em nota divulgada na tarde de ontem, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) manifestou solidariedade à família disse que, concluída a fase investigativa, o MPDFT vai analisar, “com máximo rigor técnico e jurídico”, as providências cabíveis, incluindo o oferecimento de denúncia na esfera criminal, com a adequada tipificação penal dos fatos.

Homenagens
Após a despedida, Artur Henry, um dos amigos mais próximos do adolescente, se manifestou nas redes sociais. “No dia em que Rodrigo foi internado, mandei uma mensagem para ele, na esperança de que, quando saísse do hospital, pudesse ver. Eu imaginava todos os nossos amigos reunidos para comemorar o milagre que Deus teria feito na vida dele. Mas, como sempre digo, os planos de Deus são maiores que os nossos — e melhores também”, declarou.
Ainda no sábado, uma onda de consternação uniu instituições de ensino, grupos sociais e centros esportivos em torno da preservação da memória de Rodrigo. O Colégio Vitória Régia, onde o jovem estudava, manifestou profundo pesar em uma nota pautada pela fé, pedindo orações para que o Espírito Santo seja “bálsamo, força e paz” a toda a comunidade escolar.


