
O empresário amazonense Sadraque Santos relata em suas redes sociais ter sido surpreendido por uma prisão preventiva por tráfico de drogas, expedida pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, no dia 16 de maio de 2025.
Em desabafo publicado, ele conta que agentes da Polícia Federal entraram na aeronave e o chamaram pelo nome.
“Perguntaram se eu era o Sadraque Santos, eu confirmei, e eles me pediram para acompanhá-los. Disseram que havia um mandado de prisão por tráfico de drogas expedido no Amazonas. Fiquei em choque, sem entender absolutamente nada”, relatou.
De acordo com Sadraque, o documento judicial não continha informações detalhadas, apenas dados pessoais e a vara de origem. Ao ser conduzido à sede da PF no aeroporto, o empresário explicou que nunca teve qualquer envolvimento com crimes ou drogas, trabalha no setor de turismo e possui empresa devidamente registrada.
Mesmo após os agentes confirmarem que ele não possuía antecedentes criminais, o mandado foi cumprido.
“Os policiais foram educados e respeitosos, mas disseram que não poderiam me liberar. Liguei para o meu pai pedindo que contratasse uma advogada com urgência”, escreveu.
Na sequência, ele foi encaminhado ao 1º Distrito Policial de Guarulhos, onde passou a noite.
“Pensei que na audiência de custódia as coisas seriam esclarecidas, mas o juiz apenas perguntou se eu havia sido agredido. Disse que não, e ele apenas mandou eu aguardar. Fiquei das 22h30 até o dia seguinte sem água, café da manhã ou almoço”, afirmou.
Segundo o relato, seus pais viajaram de Manaus a São Paulo para tentar contato, mas não puderam vê-lo nem entender o que estava acontecendo. No dia seguinte, Sadraque foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, sem comunicação com a família por nove dias.
Após quase 40 dias preso, ele finalmente teve contato com a advogada, que informou o motivo da detenção: uma cliente de sua agência de viagens, presa em 2018 por tráfico de drogas, havia mencionado o nome da empresa durante a investigação.
“Minha advogada explicou que essa cliente comprou passagens aéreas na minha agência, e, durante a quebra de sigilo telefônico, meu nome foi incluído no processo como associado ao tráfico. Mas o caso ocorreu em 2018, foi encerrado em 2019, e eu nunca fui notificado ou intimado para prestar esclarecimentos”, afirmou Sadraque.
O empresário ressaltou que jamais teve contato direto com a passageira além da venda de bilhetes aéreos, e que se sente vítima de um erro grave.
“Eu vendo serviços e produtos. O que o cliente faz durante a viagem é responsabilidade dele. Nunca fui chamado a depor, e de repente sou preso por algo encerrado há anos”, lamentou.
Sadraque relatou ainda que passou mais de 30 dias no CDP de Jundiaí, onde conseguiu avisar a família de que estava vivo por meio de um telegrama enviado pela esposa de um colega de cela.
O caso levanta dúvidas sobre uma possível falha judicial na execução do mandado, já que o processo mencionado teria sido finalizado há seis anos.
Em desabafo nas redes sociais, Sadraque expressou sua indignação com o episódio e criticou duramente o sistema de justiça:
“É revoltante tudo isso. Vivemos em um sistema corrompido e doente, onde erros absurdos como esse destroem vidas de pessoas inocentes, e nada acontece com os responsáveis. Sou apenas mais um caso isolado entre tantos outros. Até quando? O prejuízo psicológico e financeiro é incalculável. Agradeço a Deus por ter saído de lá com vida e por ter suportado a tortura física e psicológica de um verdadeiro cativeiro”, desabafou.

