Técnica de enfermagem rebateu depoimento prestado pela médica

A técnica de enfermagem Rayssa Marinho, 22, depôs na manhã desta sexta-feira na 24ª Distrito Integrado de Polícia (DIP) e forneceu um relato que coloca em xeque a principal tese da defesa da médica Juliana Brasil Santos, investigada pela morte do menino Benício Xavier de Freitas.
Rayssa chegou à delegacia às 9h e só deixou o local por volta das 11h30, onde falou rapidamente com a imprensa. Ela manteve sua versão de que a medicação adrenalina, que teria causado a reação fatal na criança, estava claramente prescrita para ser administrada por via intravenosa (na veia) e não por nebulização (inalação), conforme alegado pela defesa da médica.
Ao ser questionada sobre a via de administração, Rayssa informou de que a mãe teria perguntado sobre nebulização.
“A mãe perguntou se tinha uma nebulização pra fazer e eu falei que lá na prescrição médica não tinha nenhuma nebulização, que a adrenalina estava prescrita intravenoso,” afirmou a técnica.
Rayssa informou ter aplicado a medicação somente uma vez, embora a prescrição indicasse a administração por três vezes, de 30 em 30 minutos, e estivesse orientada a ser feita “curo”, ou seja, não diluída.
A técnica de enfermagem relatou ter sido a responsável por chamar a médica Juliana após Benício apresentar uma reação grave.
“Eu informei que eu tinha administrado a medicação e que a criança tinha tido reação, né? E ela falou para eu aguardar.”
Rayssa ainda disse que a médica teria admitido que a prescrição estava errada no prontuário.
“Ela admitiu que tinha prescrevido a medicação ventral? Sim, inclusive tem na evolução médica dela que foi prescrito erroneamente. Estava prescrito a ventra venosa (intravenosa).”
No entanto, Rayssa alegou que a médica não agiu com a urgência esperada.
“Eu chamei ela para auxiliar lá. E aí ela perguntou o que tinha acontecido, e aí eu informei que a criança tinha tido reação conforme eu fiz a medicação. E ela perguntou qual a medicação, falei que foi adrenalina, e aí ela pegou e falou ‘tá bom’. E aí eu retornei pra pediatria. Ela não foi? Não. No momento que eu chamei ela, ela falou só pra eu ‘tá bom’, e ela já ia lá.”
A técnica detalhou as reações do menino, que ficou pálido, com a boca sem cor, e o coração acelerado (“queimando”), o que a levou a chamar a médica e a equipe de enfermagem.
Segundo Rayssa, quando a Juliana finalmente chegou, a conduta foi de buscar culpados.
“Quando ela chegou, já chegou tentando encontrar culpados. Ela chegou até a indagar a mãe, dizendo: eu não disse que era pra fazer nebulização?”
A profissional, que atua há sete meses na área, defendeu sua conduta, ressaltando que técnicos não podem realizar procedimentos sem o devido registro.
“A gente não faz nada que não tenha prescrição médica. Ainda que a médica chegasse falando pra eu fazer a nebulização, eu só posso fazer se houver prescrição médica”, concluiu

