
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apuração de informações envolvendo o Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça. A decisão ocorre após o registro de uma reunião entre Mendonça e Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, realizada na sede do instituto em 14 de março de 2025.
O encontro aconteceu um dia antes de Mendonça pedir vista de um julgamento sobre os preços cobrados pelas concessionárias privadas de cemitérios de São Paulo. Quando o processo foi retomado, em 4 de abril de 2025, o ministro apresentou voto divergente e se posicionou contra a liminar apresentada por Dino.
A reunião foi intermediada pelo deputado Cezinha Madureira (PL-SP), a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha, conforme as informações registradas na decisão. O caso tramita na ADPF 1.196/SP, que trata da concessão dos serviços funerários e cemiteriais da capital paulista.
Meses depois, em 24 de setembro de 2025, o Instituto Iter firmou contrato de R$ 380 mil com a Prefeitura de São Paulo, por inexigibilidade de licitação, para treinamento de servidores. A entidade também celebrou contrato de aproximadamente R$ 1,63 milhão com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), ligada ao Governo de São Paulo.
Dino determinou ainda que uma cópia da decisão fosse enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, para instruir os procedimentos que apuram a conduta de André Mendonça.

Cortel, Banco Master e os vínculos sob apuração
A decisão também determinou novas diligências sobre a Cortel, concessionária responsável por serviços funerários e cemiteriais em São Paulo, e seus possíveis vínculos com o Banco Master. Prefeitura e SP Regula, agência que fiscaliza os serviços concedidos, terão dez dias para apresentar documentos sobre a concessão, alterações contratuais, fiscalização, composição societária e eventuais relações financeiras com o banco.
O despacho registra que documentos e atas da Cortel produzidos entre 2022 e 2025 foram assinados por Fabiano Campos Zettel, identificado nas investigações como cunhado de Daniel Vorcaro, com utilização de endereços de e-mail institucionais do Banco Master e do antigo Banco Máxima.
Também aparecem nas apurações o fundo CARE11, que detém 20% das ações da Cortel, e investigações da Polícia Federal e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre aportes do Banco Master e a valorização de um cemitério em Sabará (MG), avaliado internamente em R$ 181 milhões.
Outro ponto envolve Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça. Ele foi nomeado superintendente da SP Regula em julho de 2024 e promovido a secretário-executivo da agência em 26 de maio de 2026, enquanto a questão dos cemitérios ainda tramitava no STF.
Dino também requisitou a íntegra de um inquérito civil do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que apura possíveis irregularidades na concessão e vínculos entre a Cortel e o Banco Master. A CVM deverá fornecer informações sobre a composição dos fundos relacionados à concessionária em até 15 dias.
Zettel e as doações de 2022
Fabiano Campos Zettel também aparece nos registros de financiamento eleitoral de 2022. Segundo os dados da Justiça Eleitoral, ele doou R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas, totalizando R$ 5 milhões.
Em setembro de 2026, Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada rejeitada pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal, que as doações teriam sido contrapartidas relacionadas à manutenção do Credcesta no Governo de São Paulo. A alegação não foi comprovada nos elementos fornecidos e foi negada por Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab.

